A advocacia é, sem dúvida, uma das mais nobres e essenciais atividades da sociedade. Ao longo da história, sempre houve quem se dedicasse a defender direitos, interpretar leis e buscar a Justiça. No Brasil e no mundo, a advocacia foi construída com base em um trabalho que exige técnica, sensibilidade e dedicação.

O advogado é, antes de tudo, um ser vocacionado. Durante décadas, essa prática evoluiu de forma quase artesanal, tendo como instrumentos a voz, a escrita e o intelecto. Foi através deles que grandes teses foram sustentadas, contratos redigidos e defesas apresentadas. Cada peça processual, cada argumento oral, cada parecer jurídico carregava a marca única do profissional que o produziu – em um trabalho cuidadoso, detalhado e, acima de tudo, profundamente humano.

Agora, em 2025, o advogado se depara com um novo cenário: a popularização da Inteligência Artificial (IA), que transforma a forma como trabalhamos, mas sem mudar quem somos. Hoje, temos acesso a tecnologias capazes de organizar informações, revisar textos, sugerir argumentos, analisar contratos, resumir decisões judiciais e apoiar pesquisas complexas em poucos segundos.

Tarefas repetitivas e operacionais, que antes consumiam horas preciosas do advogado, agora podem ser realizadas com o auxílio da IA – permitindo que o profissional dedique mais tempo à estratégia, à análise crítica e ao atendimento personalizado aos seus clientes.

Isso não significa que a advocacia perderá seu valor ou sua essência. Pelo contrário: será preciso muita inteligência humana para guiar a inteligência artificial. Será o advogado, com sua ética, experiência e conhecimento jurídico, quem dará propósito, direção e responsabilidade ao uso dessas ferramentas. Por isso, o Instituto dos Advogados de Santa Catarina (Iasc) promove neste mês de março o workshop “IA na Advocacia – ChatGPT na Prática”, um encontro pensado para que advogados vocacionados possam integrar a tecnologia ao seu talento e aprimorar ainda mais a sua atuação. A inteligência artificial não substituirá o advogado. A advocacia seguirá sendo muito humana, agora, mais do nunca, potencializada com uso da tecnologia. E ao advogado vocacionado caberá o protagonismo deste novo tempo.

João Paulo Filippin – Advogado, presidente da Comissão de Direito e Tecnologia do Instituto dos Advogados de SC (Iasc)