“Há valentões por todos os cantos, querendo governar o mundo e por consequência a Justiça. Pessoas que não aceitam projetos de vida coletiva, com melhor distribuição de renda, com direitos iguais, pessoas machistas, racistas e colonialistas; pessoas preconceituosas, homofóbicas e recalcadas; pessoas que disseminam o ódio e idolatram a guerra, a ditadura militar, que desejam retroceder ao pré-Iluminismo. E por isso é que devemos sempre estar alertas e sempre ocupar os espaços em prol da democracia.”

As palavras são de João Marcos Buch e integram seu discurso de posse no cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado (TJSC), em solenidade realizada na sede do judiciário no final da tarde desta sexta-feira (7/3).

Na sua fala o desembargador lembrou das pessoas que o ajudaram e o ajudam na sua trajetória desde os bancos acadêmicos até o mais alto cargo da magistratura catarinense. Lembrou de familiares, amigos, colegas e citou o noivo, Lucas Fasolo.

“Você é a prova de que não somos amados porque somos bons, a verdade é que somos bons porque somos amados. Que sorte foi te encontrar!”, expressou o magistrado.

Buch fez um resgate da sua trajetória e lembrou quando sua trajetória cruzou com a do decano do TJSC, desembargador Pedro Manoel Abreu:

“Na faculdade, eu havia decidido que queria ser juiz, porque encontrara referência única entre meus professores, o desembargador Pedro Abreu, então juiz em Blumenau. Nas lições de processo civil, ele nos ensinou a montar um processo, com petição inicial, contestação, réplica, até chegarmos na sentença e recurso. Ao final do semestre fui entregar o processo no gabinete dele. Ele me recebeu, folheou o material e finalmente perguntou qual carreira eu pretendia seguir. Olhei bem para ele e disse: ‘quero sentar na sua cadeira!’. Hoje tomo posse exatamente na cadeira deixada pela aposentadoria do Des. Pedro Abreu. Então, Desembargador, meu profundo agradecimento.” 

O desembargador ingressou na magistratura em julho de 1994. Natural de Porto União, atuou como juiz substituto nas comarcas de Florianópolis, Santa Cecília, Curitibanos, Rio Negrinho, Joinville, Imbituba e São Francisco do Sul; e como titular nas comarcas de Quilombo, Canoinhas e Joinville. Foi promovido a juiz de direito de 2º grau em 2023.

Mestre em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o magistrado já integrou o grupo temático de persecução penal da ENASP (Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública) e o núcleo de execução penal do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF).