A juventude anseia por mudanças, por espaço à mesa e por uma perspectiva para continuar acreditando no Brasil.

O país está no auge da juventude, pois nunca teve ou terá tantos jovens como agora, com cerca de 50 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Mas o sentimento destes jovens não é de pertencimento no país, na medida em que não há perspectiva de trabalho e é flagrante o sentimento de insatisfação com a condução do Brasil, principalmente pela dificuldade de se conseguir emprego, situação que atinge milhões de desempregados.

As políticas públicas para juventude precisam ser pensadas pela juventude. Os jovens não são o futuro, mas o presente do Brasil. A sociedade vive um momento de transformação social, um momento que a juventude anseia por espaços, por reconhecimento e por protagonismo.

Quem perde é o Brasil, pois metade dos jovens, mesmo no bônus demográfico, desejam deixar o país, criando uma proporção inédita de pessoas que nem trabalham e nem estudam, aliado a uma dificuldade de encontrar trabalho nunca vista.

O custo para o país pode ser o maior desperdício em termos de crescimento e produtividade brasileiros. Todos os dados refletem o estudo Atlas das Juventudes(1).

Em inédita pesquisa, 44% da advocacia possui renda mensal média de até R$ 2.500,00 e dois terços da classe, de um total de mais de um milhão e duzentos mil advogados, atuam de forma autônoma. E metade da advocacia viu sua renda diminuir(2).

O cenário do país não ajuda quem está começando na profissão, e a atuação firme e combativa da Ordem dos Advogados do Brasil é fundamental para auxiliar aqueles que mais precisam.

Os jovens que ingressam no mercado de trabalho precisam de um mecanismo para apresentar seus serviços e seu conhecimento para o público, precisam de um auxílio para construir uma carreira sólida. Não é mais suficiente apenas a tão sonhada carteira profissional, mas é necessário a ocupação dos espaços para atingir o público ideal.

A OAB é a casa da democracia, mesmo assim, aqueles jovens advogados com apenas 3 anos de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil não podem ocupar um cargo de diretoria, apenas conselho seccional. Que espécie de democracia é esta?

Historicamente a OAB sempre foi uma instituição de vanguarda, de defesa da democracia, da luta pelas liberdades, do protagonismo, da renovação de seus quadros, da defesa dos honorários e das prerrogativas profissionais. A OAB não pode deixar essas bandeiras de lado e se preocupar com política partidária, com disputas de cargos, com personalismo, com divisão de classe e, sem dúvida alguma, com alijamento da juventude dos espaços de poder.

A jovem advocacia não se pode deixar levar por este mercado saturado, é necessário perseverar na advocacia, pois os frutos somente serão colhidos depois de algum tempo no mercado. É uma realidade difícil de encarar no início da profissão, mas a chave para sucesso é a perseverança e dedicação com a advocacia. O jovem advogado deve perceber que o mercado é dinâmico, assim com a jovem advocacia, então o modelo de advocacia que perdurava até pouco tempo atrás não pode servir de parâmetro para quem está começando a carreira.

A advocacia, e principalmente a Ordem dos Advogados do Brasil, possui papel fundamental na defesa da democracia e na criação de mecanismos para trazer eficiência ao sistema jurídico e oportunidades para àqueles que ingressam no mercado de trabalho.

Não há como negar que existe um incentivo muito maior, seja no meio acadêmico ou no âmbito familiar, aos concursos públicos. Os jovens advogados são desencorajados a ingressam em uma carreira longa, cansativa e cujos frutos não são imediatos. Contudo, em um cenário onde muitos vislumbram dificuldade, é preciso ver oportunidade.

Mas o jovem advogado deve aproveitar o momento de incertezas do mercado e se destacar. A jovem advocacia precisa de um lugar à mesa. A jovem advocacia, assim como a juventude, precisa ser partícipe, e não figurante, das discussões e do futuro da profissão.

Mais importante do que aproveitar a oportunidade profissional, é perceber que a jovem advocacia é sempre mais forte quando estiver unida defendendo seus interesses.

Arthur Bobsin de Moraes é advogado. Doutorando em Direito (UERJ). Conselheiro Estadual da Juventude – CONJUVE/SC. (2018/2020) | Membro Efetivo do Institutos dos Advogados de Santa Catarina (IASC) | Presidente da Comissão da Jovem Advocacia da OAB/SC (2019/2021).

1 https://atlasdasjuventudes.com.br/

2 https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/04/advogados-viram-motoristas-de-uber-e-vendedores-com-crise-na-pandemia.shtml