Florianópolis, 2013, a convite do então Secretário Dalmo Vieira Filho, Amyr Klink está no antigo Clube Penhasco para nos constranger com a triste realidade náutica de Florianópolis. Amyr (um apaixonado pela ilha) não conseguia compreender como o último ponto abrigado do litoral meridional americano antes do Rio da Prata, uma desenvolvida e rica capital, (não) utilizava seu potencial náutico. O fato óbvio, e sempre repisado, era deprimente. A cidade jogava fora um dos seus maiores atributos: o contato com o mar. Os feitos de Balneário Camboriú e Itajaí envergonhavam a capital.

Chamei o secretário Dalmo (navegador e um dos fundadores do Museu Nacional do Mar) para que fato enfrentássemos o tema. Uma equipe foi atrás de todas as idéias e estudos sobre uma Marina Urbana em Florianópolis que dormitavam nos escaninhos empoeirados da Prefeitura. Cazuza chamaria de um museu de grandes novidades. E havia de tudo. Um estudo caríssimo que indicava a Baía Sul, na altura do Saco dos Limões, outro que indicava a Beira Mar Continental, outro o Saco da Lama, em Coqueiros, outro apontava para Canasvieiras e previa até transatlânticos. E o mais ousado divagava em criar canais cruzando a Gustavo Richard, o aterro da Bahia Sul e a Paulo Fontes e fazer a Marina junto ao Mercado Público.

A equipe técnica entendeu que nenhum era conclusivo. Em parceria com o então presidente da ACATMAR, Mané Ferrari e com o decisivo apoio da ACIF, fizemos um novo estudo, com sondagens e avaliação das marés. Chegou-se ao ponto atual: o centro da beira mar norte. Inesperado e sensacional ao mesmo tempo.

A equipe do IPUF chegou á concepção não de uma Marina, mas de um Parque Urbano e Marítimo. Ceticismo e deboche foram comuns quando da apresentação do esboço inicial. Apenas ao mostrar o projeto ao então presidente do IMA, Alexandre Waltrick, ambos já viramos réus de um inquérito civil aberto (e arquivado depois) por um procurador federal. Isso, apenas a iniciativa de abrir a cidade para o mar já é para alguns um delito. Deixamos faca e queijo na mão da administração posterior: localização, conceito arquitetônico, viabilidade ambiental, técnica e comercial.

Depois de sete anos de muita marketagem, surge uma luz, o novo prefeito, Topázio Neto, parece ter tomado a decisão de efetivamente dar continuidade ao projeto. Com investimentos privados, usos comuns e múltiplos, a concepção do Parque Urbano e Marina foi obra do trabalho e do sonho de muitos. Confesso que havia quase perdido as esperanças. Quando vejo alguns criticarem o projeto por elitista, percebo o quanto as forças do reacionarismo ainda se fazem ouvir em nossa cidade. Devem ser os mesmos que criticam o novo Mercado Público de “gourmetização”(!!) e que talvez tenham saudade do outrora apertado e calorento Aeroporto Hercílio Luz.

Desejo ao novo prefeito e a sua equipe sucesso na fase final dessa empreitada. A cidade não pode perder esta oportunidade histórica.

Cesar Souza Júnior é advogado e ex-prefeito de Florianópolis.