A advocacia é profissão personalíssima que requer resiliência, coragem e perseverança constantes. É ofício que premia o esforço individual daqueles que se empenham não apenas para garantir a própria subsistência, mas também o direito de quem lhes confia muitas vezes a própria liberdade.

Dentro dessa dinâmica, sobreviver da advocacia é tarefa árdua, seja pelas dificuldades enfrentadas para ingressar no mercado, conquistar e manter clientela, seja pelas adversidades impostas pela resistência de muitas autoridades ao livre exercício da nossa profissão e pelo sistema de justiça do qual participamos, o que se agravou sobremaneira desde a suspensão de atividades presenciais nos fóruns e tribunais por conta da pandemia.

É para enfrentar situações difíceis como essas que existe a OAB, que tem como função fundamental a defesa dos advogados e advogadas, como um grupo coeso, acima de interesses individuais.

Contudo, é notório o crescente distanciamento da OAB das pautas essenciais da advocacia, das questões do dia a dia da profissão e daqueles que, como dizem alguns, militam diariamente nos “balcões dos fóruns”. Por outro lado, nos últimos tempos a OAB tem se aproximado perigosa e indevidamente da política partidária, afastando-se da sua real missão e prejudicando não só a sua imagem, mas também a daqueles que representa.

Percebe-se também que a OAB tem feito excessivo marketing das atividades desenvolvidas. Até correção de tabela de honorários da advocacia dativa abaixo do mínimo e razoável é motivo de exultante comemoração oficial. Fatos previsíveis são apresentados como conquistas, embora fossem acontecer independentemente de ofícios ou pedidos de outras naturezas. Precisamos que coisas importantes aconteçam “por causa” da OAB e não “após ofícios” da OAB.

Diante do constante desrespeito às nossas prerrogativas profissionais, a OAB, que deveria defendê-las de maneira firme, investe em excessiva política de boa vizinhança e se mostra silente, subserviente, diminuindo assim sua força, seu tamanho, sua credibilidade.

Estão faltando na OAB ações pragmáticas para a solução de questões básicas que não raro afastam bons profissionais e até mesmo geram descrédito à advocacia. Ainda nos falta, por exemplo, a unificação de sistemas processuais eletrônicos (ferramenta básica de trabalho), frequentemente precisamos recorrer para garantir a fixação de honorários em patamares mínimos legais e temos embates diários para viabilizar a observância das nossas prerrogativas profissionais.

Neste cenário, precisamos de união de esforços e de ações concretas em defesa dos interesses dos advogados e advogadas, a fim de que seja possível transpor uma série de desafios que a prática real da advocacia nos impõe e, desta forma, retomar a dignidade profissional que merecemos.

A despeito das agruras impostas à advocacia e da nossa falha representação institucional, hoje devemos, sim, comemorar o Dia dos Advogados e Advogadas, pois exercemos uma das mais belas e importantes profissões, que muito nos orgulha e é fundamental para a construção da cidadania.

Vívian Degann é advogada.