Como forma de auxiliar o processo de tomada de decisões judiciais, o perito apresenta, muitas vezes, planilhas de cálculo. Neste cenário, elas representariam a apuração das diversas variantes do caso, e de forma objetiva colocariam um dado quantitativo no cenário apresentado, oferecendo ao Juízo um referencial sólido para emitir a sua sentença. Porém esse resultado, muito esperado, é o final de uma longa jornada.

Nós na Zambon vivenciamos diversos tipos de processos de perícia judicial, todos abordados de forma extremamente técnica, porém com pormenores muito distintos.

Não existe fórmula mágica. Muito menos uma planilha de Excel ou mesmo um sistema de dados onde possamos jogar toda e qualquer informação para obter um desfecho rápido. O perito, muitas vezes, faz um garimpo. Isso mesmo: uma enorme coleta e averiguação de informações, uma checagem que passa por reler e analisar minuciosamente documentos, contratos, avaliar a época em que foi firmado, a moeda vigente, os fatos apresentados, e checar se tudo o que foi posto no processo judicial de fato, tecnicamente, faz sentido.

Há ainda a análise econômica, a qual avalia, dentre outros, a conjuntura econômica, escassez, externalidades e racionalidade, o cenário micro e macroeconômico de determinada atividade ou região e a análise financeira, que aborda a lucratividade, rentabilidade, caixa, recursos disponíveis e outros.

Cada caso é único

O trabalho da perícia judicial deve averiguar de forma precisa e transparente o que ocorreu, de que forma se apresentou uma desavença e qual a solução tecnicamente adequada e que respeita na íntegra eventual decisão judicial ou ainda o contrato ou instrumento previamente firmado.

A Zambon já utilizou programas de cálculo, que são comercializados para dar suporte ao trabalho do perito, entretanto acabou abandonando as referidas ferramentas após compreender que perícia é diferente de cálculo. Obviamente os sistemas oferecem vantagens e facilitam as atividades, por outra via, ao compreender que cada caso é único e que necessita de uma análise e de ações singulares, não automáticas, a empresa optou por adotar seus próprios critérios e ferramentas.

Nosso objetivo maior é, ao final de nosso trabalho, apresentar uma conclusão robusta, transparente e justa, que tenha o poder de esclarecer, até mesmo eventualmente para uma parte que venha a se achar desfavorecida, que de fato houve uma avaliação da situação e uma solução totalmente alinhada com as decisões judiciais já impostas, o que permitirá colaborar com o desfecho do litígio.

O cálculo é uma etapa que tem que ser realizada, mas isso acontece já perto da linha de chegada. Sem uma análise cuidadosa e atenta, corre-se o risco de uma má-compreensão que leva a valores errados e consequentemente a um resultado errado. Esta dedicação do perito, no caminho que leva até o cálculo, é sem dúvida a questão mais importante.

Conteúdo publicado originalmente em www.zambonpericia.com.br