No dia 8 de março foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, mas muito além da data, o mês de março é considerado um mês de luta pelos direitos das mulheres, contra as desigualdades e discriminação de gênero em todo o mundo. No entanto, em cargos de poder relacionados à Justiça, ainda é baixa a representatividade feminina.

No âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil, até bem pouco tempo não havia previsão de cota de representatividade feminina em suas chapas para eleições internas. Somente no ano passado uma resolução estabeleceu paridade de gênero nas eleições e movimentou as chapas que disputaram as eleições do Conselho Federal e as seccionais da entidade.

Se faz necessário um recorte para trazer em números concretos que o Brasil possui mais advogadas do que advogados. Segundo último levantamento feito pela OAB, são cerca de 624.285 mulheres inscritas nos quadros da ordem e 615.989 homens inscritos.

Nas últimas eleições da entidade, que ocorreu em 2021, candidataram-se para a presidência das seccionais 23 mulheres e 59 homens, o que representou 28% de candidaturas femininas.

No entanto, embora em pleno vigor na OAB a resolução que estabeleceu a paridade de gênero nas eleições internas, destaca-se que em 11 Estados não houve sequer candidatas mulheres, sendo eles: AC, AL, AM, CE, MA, PA, PE, PI, RS, RR, SE.

Das 27 seccionais da entidade, consagraram-se eleitas na presidência 5 mulheres advogadas. Na seccional de Santa Catarina foi eleita Cláudia Prudêncio, na seccional de São Paulo foi eleita Patrícia Vanzolini, na seccional do Paraná foi eleita Marilena Indira Winter, na seccional do Mato Grosso foi eleita Gisela Cardoso e na seccional da Bahia foi eleita Daniela Borges.

Os resultados, extremamente animadores, nos mostram, porém, a exata dimensão da estrada a ser percorrida. Enquanto os veículos de imprensa noticiam a vitória das mulheres nas presidências das seccionais do País, necessário se faz destacar que a expressão “primeira” é usada com insistência por ser mesmo inédito tal feito.

Sem dúvida o resultado das últimas eleições foi melhor no que se refere à presença feminina do que nos anos anteriores, devendo ser comemorada e enfatizada a vitória dessas mulheres no comando das seccionais da OAB, pois elas abrem portas não somente para a representatividade feminina na advocacia, mas também se tornam espelho para que mais mulheres cheguem a cargos de comando nas demais instituições, entidades, organizações da sociedade civil e espaços governamentais.

Marina Pires Campos é bacharel em Direito