O Ministério Público de Santa Catarina, em 1º de dezembro de 2017, criou o Grupo de Valorização da Ética e da Cidadania, destinado à condução estadual de campanhas e iniciativas de cunho educacional e de promoção da cidadania, destinadas, em especial, a combater, por meio da educação, práticas antagônicas a preceitos éticos básicos de cidadania.

O dia 9 de dezembro – Dia do Combate à Corrupção – permite algumas breves reflexões.

Etimologicamente, o termo “corrupção” emergiu do latim corruptus, que significa o “ato de quebrar aos pedaços”, ou seja, “decompor e deteriorar algo”. Este substantivo pode externar outros termos de mesma grandeza aniquiladora – entre eles, curiosamente, a expressão “coração rompido” – , todos destinados a uma percepção de destruição plena, moral e material de relevante repercussão social.

Pois bem, como se não bastasse a pandemia instalada, é notório que passamos por uma fase extremamente grave e conturbada, com indicativos, ainda importantes, que reclamam o enfrentamento da corrupção. Desta feita percebem-se requintes ainda mais preocupantes, na medida em que, ao que tudo indica, apontam para questões que envolvem a saúde de uma nação, em todos os sentidos.

Assim, para o enfrentamento desse mal endêmico – ativo e passivo – , é necessário, além das ações austeras de combate à corrupção, investir contra a crise moral e ética que aflora, continuamente.
Filosoficamente falando, ética é uma reflexão racional de como “as coisas devem ser certas ou erradas a partir delas em si” (Leandro Karnal). Aristóteles afirmou que a ética é a “felicidade do bom e do belo pensamento de que algo é correto independentemente que alguém veja”.

Os dois conceitos se fundem e certamente deveriam ser molas propulsoras de inúmeros protagonistas da história do nosso amado Brasil.

Neste sentido, em especial para as novas gerações, é fundamental “sair do lugar comum”, começando, por exemplo, em reconhecer o espaço do outro, que nada mais é do que a capacidade de ver o próximo com respeito e dignidade.

Trata-se, portanto, da busca – incessante – de um processo de educação ética, em um conceito ético do micro ao macro.

Por fim, tenho convicção de que mudar é muito difícil. Contudo, do mesmo modo, acredito que não mudar é fatal.

Murilo Casemiro Mattos é Procurador de Justiça, Coordenador do Grupo de Valorização da Ética e da Cidadania (GEVEC) do Ministério Público de Santa Catarina.