Com 23 anos a época dos fatos, uma menina prodígio chegou à gerência de relacionamento de uma importante agência, que lutou desde a adolescência para alcançar almejado posto dentro dos quadros do Banco Itaú.

Antes de tudo, uma jovem e promissora mulher. Seria promissora a carreira, caso não sofresse um escrutínio abusivo e aniquilador de seu moral e de sua honra como mulher, num rompante de prática abusiva em uma das maiores instituições bancárias do mundo.

Considerando comprovada a prática abusiva contra uma gerente para usar a sensualidade, “batom vermelho, salto mais alto e saia mais curta” para atrair clientes, insinuando que deveria “usar a beleza, já que não tinha talento”, o Juiz de primeiro grau condenou o banco ao pagamento de R$ 500 mil de indenização. O valor, contudo, foi reduzido para R$ 8 mil reais pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC).

No Tribunal Superior do Trabalho, o advogado Cassio Biffi, da Biffi Advocacia, defendeu a não objetificação feminina no ambiente de trabalho, sensibilizando o relator em recurso, de que a base, parâmetros e particularidades do caso, não foram razoáveis ao arbitrar o valor da condenação reformada, obtendo êxito em aumentá-la para R$ 50 mil (Fonte: http://www.tst.jus.br/-/banco-%C3%A9-condenado-por-pedir-que-empregada-usasse-sensualidade-para-atrair-clientes).

E o que isso tem de novo? Nada. Uma condenação razoável em fato corriqueiro, mas não eficaz; R$ 50 mil reais à título de indenização não terá o caráter pedagógico, nem punitivo para a envergadura financeira do Itaú.

E qual o poder desse artigo sobre a objetificação do trabalho da mulher diante da repercussão nacional? O poder devastador sobre um fato não alcançado pelas diretrizes de compliance, nem da Justiça.

Aqui reside o poder da rasura da marca, da má-reputação por não observância de preceitos fundamentais para um programa de integridade/compliance contra atos que ferem sem preço e com inestimável depreciação, uma das maiores instituições financeiras do Brasil.

Que aqui se entenda a importância do compliance, o alcance e repercussão do fato para leitores e leitoras, consumidores e consumidoras, homens e mulheres, comissões de mulheres em associações, que a mensagem atingir, tornando-se extremamente punitiva e lesiva à marca, independentemente do poder econômico envolvido.

Cassio Biffi – Advogado Fundador da Biffi Advocacia e da Inove Law – Governança, Risco e Compliance.