Quem nunca se deparou com a dúvida de pagar determinada compra à vista ou de forma parcelada, com prestações fixas sem juros? Um dos principais chamarizes dos comerciantes, a alternativa do juro zero costuma fazer sucesso entre os ansiosos pela aquisição de um novo produto ou serviço – que acreditam na vantagem de um pagamento mais estendido, mas nem sempre conseguem enxergar o que está por trás daquela oferta. Na hora pode até parecer uma boa ideia. Mas, muitas vezes, não é. E neste post vamos explicar por quê.

Promoções imperdíveis – como comprar em parcelas com juro zero, por exemplo – costumam esconder armadilhas para o bolso dos consumidores. No entanto, o que muita gente nem sabe é que o tal juro zero costumeiramente não existe. Trata-se de uma estratégia de promoção de venda muito bem orquestrada para passar a impressão de vantagem.

Funciona assim: o juro zero anunciado costuma ser calculado em cima do preço de tabela do produto. Ou seja: ele já traz embutido uma margem que corresponde aos juros, encargos e cobertura de eventuais riscos que, porventura, possam vir a afetar a economia ou a própria empresa. A compra parcelada, portanto, se dá com base no valor já acrescido desses elementos – com juros embutidos para que o consumidor pague sem perceber.

É por isso que um pagamento à vista, por exemplo, costuma ter o que chamamos de desconto: ele retira os encargos que tornam o produto mais caro e o deixam com um valor mais próximo da realidade. É aí que está a armadilha, pois, se existe a possibilidade de conseguir um desconto, não há que se falar de juro zero.

Para que o juro seja zero, de fato, o valor que será parcelado não pode ser diferente do valor à vista. Isso porque este último não soma encargos que antecipam um juro que não existe, por exemplo.

O mito do juro zero

Imagine, por exemplo, um produto muito desejado por adolescentes no último natal, o PlayStation 5. Uma famosa loja anunciou o console de videogame ao valor de R$ 4.999,00, com as seguintes opções de pagamento:

  • parcelamento em até 10 vezes sem juros com base no valor anunciado (R$ 4.999,00); ou
  • à vista com 10% de desconto (redução, portanto, de R$ 499,90 no valor anunciado, totalizando um preço de venda de R$ 4.499,00).

Neste último caso, perceba: a loja está vendendo o produto pelo valor oficial de R$ 4.499,00 e não por R$ 4.999,00. Portanto, o valor correto do produto é R$ 4.499,00. E a opção de 10 vezes sem juros se mostra um atrativo inverídico, pois os encargos financeiros são adicionados ao valor do produto e, posteriormente, divididos em prestações fixas.

Afinal, se o consumidor optar por fazer o parcelamento em 10 vezes, o produto terá prestações iguais de R$ 499,90. Somadas todas as parcelas, o valor final será o mesmo anunciado: R$ 4.999,00. Porém, é aqui que está a jogada.

É mais vantajoso à loja divulgar que há um desconto de 10% no valor anunciado (demonstrando a intenção de benefício) do que o contrário: diminuir o valor do produto para o seu verdadeiro preço, não dar desconto no pagamento à vista e acrescentar juros mensais no parcelamento. Observe que, como promoção de venda, a segunda opção pode não parecer atrativa aos olhos do consumidor.

O quadro a seguir mostra a análise financeira da oferta anunciada e ajuda a desvendar o que está escondido por trás do juro zero. Constata-se, portanto, que o anunciado juro zero esconde uma taxa mensal de quase 2% ao mês, e uma diferença nominal de R$ 500,00.

O juro zero na prática

Ou seja: a loja considerou o preço de tabela do produto, calculou antecipadamente quanto representam os juros de 1,963% ao mês e somou esse montante ao valor final anunciado. A partir disso, divulgou um desconto de 10% à vista (como um benefício) e o parcelamento sem juros (como outro benefício).

Então, se o consumidor não fizer o cálculo, não perceberá os juros de 1,963% ao mês já embutidos no preço final (que, ao ano, equivalem a 26,27%).

Em uma comparação simples, a atual taxa Selic está em 2% ao ano. Então, é de se imaginar que, se o mesmo consumidor, mantiver paralelamente uma aplicação na renda fixa, conseguirá obter algo em torno de 2% ao longo de todo o ano. Por outro lado, corre o risco de aceitar pagar 26,27% de juros ao ano para realizar a referida compra.

Portanto, a lição que fica disso tudo é a seguinte: se o preço à vista e o valor parcelado do produto ou serviço forem idênticos, opte sempre pelo valor parcelado. Lembre-se que você estará empurrando ao vendedor o custo de oportunidade (dinheiro na mão) e também o eventual custo inflacionário da operação.

Mas se houver diferença nos valores, procure buscar o desconto do pagamento à vista. E caso tenha que adquirir de forma parcelada, por exemplo, fuja das taxas expressivas, como as evidenciadas acima.

A importância do perito consultor

Observe, por exemplo, que a percepção comum costuma pregar peças, já que a análise de taxas de juros praticada é algo complexo para a maioria das pessoas. Neste contexto, é natural que elas acabem concentrando esforços na análise da diferença do valor nominal (ou valor declarado). Ou seja: nos R$ 500,00 (equivalentes a R$ 50,00 mensais) e tendem a concluir que “apenas R$ 50,00 por mês são inexpressivos”.

Casos corriqueiros e triviais como esse, por exemplo, demonstram claramente a diferença que podem alcançar os cálculos e fatos econômicos feitos por um economista perito e um cidadão comum.

A Zambon Perícia & Avaliação é formada por peritos profissionais capacitados e com muita experiência em cálculos de processos judiciais. Em mais de 10 anos de atividade, a empresa já acumula a participação em mais de 2,8 mil casos. Desse total, 90% realizados na condição de perito oficial.

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