Doutor Evandro de Oliveira

Quando perece um gênio, a terra empobrece, mas sua luz passa a brilhar no horizonte  das façanhas humanas.  Morreu em São Paulo o Dr. Evandro de Oliveira. Florianopolitano, um dos maiores neurocirurgiões da história da medicina mundial. Não são poucos os que o consideram o maior. Recebeu da sociedade Americana de Neurocirurgia, em San Diego, um congresso com seu nome.

Operou chefes de Estado, era procurado por figurões do mundo inteiro, mas nunca perdeu a humildade e a conexão com a sua terra. Uma vez, no Mercado Público, um conhecido engraxate me pediu uma passagem para São Paulo a fim de visitar o médico que o operara de um tumor cerebral. Perguntei qual médico seria. “O Doutor Evandro me cuidou de graça, me conhecia aqui do mercado e me ajudou”.

A luz de seu talento, dedicação e saber fizeram com que incontáveis pessoas saíssem andando de cirurgias que seriam fatais ou deixariam terríveis sequelas. Formou mais de 7.500 médicos em seus cursos, suas técnicas viraram canônes da literatura mundial médica. A cada dia salvam mais e mais vidas. Vidas que readquiriam o brilho, quando, em desespero, buscavam nele a esperança.

Como eu, chegando em seu consultório, trazendo nas mãos os exames de meu jovem irmão internado e quase desenganado pelas sombrias perspectivas de um tumor na glândula pineal. Dr. Evandro me recebe, simpático. Coloca, à moda antiga, o raio-x contra o sol da manhã e fala: “Tem que operar, e rápido, mas vamos curá-lo”. Como quando ele encontra nossa família após as 14 horas de mesa de cirurgia e sorridente, diz: “Ele ficará bem, tirei tudo, conheço desses bichinhos…”

Em uma das visitas que fez ao meu irmão em sua longa internação, perguntei se sentia que sua atividade o aproximava de Deus. Ao que me respondeu assim: ”sou apenas um homem, mas quando percebi que tinha um dom que poderia salvar vidas, me dediquei a aperfeiçoar ao máximo esse dom, tive que sair da minha Florianópolis, rodar o mundo, e acho que valeu muito a pena”.

A descoberta da ELA, esclerose lateral amiotrófica, interrompeu a carreira do Dr. Evandro em seu auge. Essa misteriosa doença lhe foi ceifando os movimentos que tanto bem fizeram. Até lhe apagar a chama tênue da existência. A mesma doença de Stephen Hawking. Terrível doença com um pendor maligno por gênios.

Em nome das milhares de famílias que puderam ter suas vidas impactadas pelo seu carinho e genialidade, nosso muito obrigado a um dos maiores catarinenses da história. Poucos homens realizam obras que os aproximam do divino. Ainda mais raros os que enfrentam a brutalidade da doença em favor da vida e vencem. Foram muitas vitórias Dr. Evandro, e muitas ainda virão, pois seu legado aqui permanecerá.

César Souza Júnior.