A sentença que absolveu o empresário paulista André Camargo Aranha do suposto crime de estupro de vulnerável, que teria sido cometido contra uma influenciadora digital em beach club de Jurerê Internacional em dezembro de 2018, foi “amplamente fundamentada pelo magistrado, com base nas provas produzidas nos autos e, também, em razão da manifestação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que considerou as provas do processo insuficientes para amparar condenação”.

A afirmação é da juíza Jussara Schittler dos Santos Wandscheer, presidente da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), que nesta quinta-feira (10) emitiu “Nota Pública” de apoio ao magistrado.

A divulgação da sentença, nesta quarta-feira, foi notícia nacional e provocou milhares de manifestações nas redes sociais, a imensa maioria crítica à conclusão do juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis.

 

Confira a íntegra do comunicado da AMC:

NOTA PÚBLICA

A Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) vem a público manifestar-se a respeito da sentença proferida ontem (09/09/20) pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, cujo teor gerou manifestações nas redes sociais.

A sentença em questão, amplamente fundamentada pelo magistrado, dá conta da absolvição de réu denunciado pela suposta prática de estupro de vulnerável (art. 217-A, §1º, do Código Penal) com base nas provas produzidas nos autos e, também, em razão da manifestação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que considerou as provas do processo insuficientes para amparar condenação. Ao juiz cabe analisar as provas apresentadas e julgar nos termos da lei, sem descuidar de que sejam observados os direitos e garantias de todos os envolvidos no processo.

Eventual descontentamento com decisão judicial deve ser apresentado na forma legal, por meio dos recursos cabíveis que estão à disposição da vítima e de seus representantes legais.

Ao sistema judiciário e seus operadores exige-se respeito. Ofensas pessoais e ameaças ao magistrado, veiculadas principalmente nas redes sociais, serão devidamente apuradas e seus autores, responsabilizados nos termos da lei.

A AMC destaca o seu compromisso com a defesa das prerrogativas da magistratura, dentre as quais a independência de todas as juízas e juízes para julgar com a autonomia necessária para interpretarem a lei e as provas de cada processo.

Jussara Schittler dos Santos Wandscheer Presidente da Associação dos Magistrados Catarinenses – AMC

Florianópolis, 10 de setembro de 2020

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