Em nota divulgada nesta quarta-feira (2), o movimento MP Mulheres SC, composto por mais de 80 promotoras e procuradoras do Ministério Público, lamenta “a prática de fazer graça com a violência doméstica em opiniões veiculadas em ambiente virtual”. A manifestação faz referência ao vídeo em que um promotor de Justiça faz comentários sobre a violência doméstica durante a pandemia (LEIA AQUI)

Na nota “Violência não tem graça” as promotoras e procuradoras do MPF, do MPSC, do MP de Contas (MPC) e do MPT de todo o estado, esclarecem que a sociedade se disciplina através da linguagem e que as ideias que se proliferam indefinidamente, em especial nos meios virtuais, acabam por moldar a realidade.

“Portanto, uma piada não é apenas uma piada, é a disseminação de uma forma de ver o mundo que se perpetuará e influenciará uma maior escala de comportamentos, quanto maior prestígio social ou institucional o emissor detiver.”

As membras dos MPs em Santa Catarina reconhecem que o humor é construído a partir de uma visão crítica do mundo e do comportamento humano.

“Além de ser marcado pela descontração, o humor vale-se do exagero, da hipérbole, do óbvio e do absurdo para provocar o riso ou, ao menos, um sorriso. Mas não tem graça se esse humor está calcado em uma reiterada prática de abusos físicos e psicológicos em que um dos envolvidos acaba chorando, encurralado, desalentado, lesionado ou morto. Somos a sociedade do discurso e, ao banalizarmos a violência doméstica ou usarmos dela como meio de provocar riso transmitimos ideias, valores e comportamentos, mesmo que disfarçados no humor.”

O MP Mulheres SC afirma que não se furtará dessa discussão e que, “reiterando o seu objetivo de promover a igualdade de gênero e a valorização das mulheres dentro e fora das carreiras jurídicas, permanecerá atento às condutas e discursos dessa natureza e solidário a todas as mulheres, tendo sempre em vista que a não violência é uma mudança de atitude ética e consistente, para que não sejamos nós mantenedores e perpetuadores da violência”.

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O texto é da Assessoria de Comunicação Social Ministério Público Federal em SC