O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (SINJUSC) voltou a se manifestar sobre as condições de trabalho nos fóruns e no Tribunal de Justiça (TJSC) durante a pandemia. Pela segunda vez, alerta que a deflagração de uma greve será avaliada caso os servidores sejam expostos ao que a direção classifica de “condições sanitárias inadequadas”, ou seja, com risco real de contágio pelo Covid-19.

Em editorial intitulado “Para dizer que não falei de greves”, o Sindicato destaca que não deflagrou um movimento de paralisação, “mas teria toda a legitimidade para fazê-lo”. Acrescenta, ainda, que o uso da expressão “greve pela vida” utilizada em comunicado anterior um “recurso retórico” para chamara atenção para as condições de trabalho nas unidades do Poder Judiciário de Santa Catarina.

“Para aqueles que ainda estão se perguntando se tal recurso retórico era, de fato, necessário, vamos a um breve compilado. Com a demissão dos trabalhadores terceirizados, as atividades de limpeza dos fóruns foram completamente comprometidas – até mesmo porque não devia haver pessoas trabalhando presencialmente. Acontece que muitos servidores foram obrigados a montar escalas de rodízio nos cartórios ou optaram fazê-lo por conta própria em busca de melhores condições para executar as atividades”, diz o editorial.

 

Preocupação com a saúde

Em matéria divulgada nesta quarta-feira (19), o TJSC destaca reunião do chamado Comitê Interinstitucional de Acompanhamento da Covid-19, realizada por videoconferência coordenada pelo presidente, desembargador Ricardo Roesler, para a atualização das informações técnicas da pandemia provocada pela Covid-19 no Estado.

No texto, a direitora de Saúde do Poder Judiciário, médica Graciela de Oliveira Richter Schmidt, ressalta que para o retorno ao trabalho presencial é necessária a redução dos números por no mínimo três semanas.

De acordo com ela, são quatro os índices que devem ter um acompanhamento especial: diminuição de novos casos por semana, a redução de mortes por semana, a queda na taxa de transmissão e o encolhimento da porcentagem de ocupação dos leitos de UTI por pacientes da Covid-19. A falta de medicamentos para entubar pacientes também foi um ponto destacado pela equipe técnica do Judiciário.

O presidente do PJSC ponderou que o Estado registrou um aumento no número de óbitos, mas a ocupação dos leitos de UTI não acompanhou esse crescimento.

“É evidente que o cenário não melhorou e, pelo contrário, piorou em grande aspecto e número no Estado. Está ficando delicada a administração desta pandemia na relação do afastamento e da interrupção dos serviços presenciais. O momento é delicadíssimo. Precisamos saber aonde podemos chegar? O que poderemos fazer? Como fazer? Quem poderá fazer dentro do sistema judicial? Essa é a compreensão que espero que todos reflitam. Até podemos pensar em avanços, mas sempre preocupados com a saúde dos servidores, magistrados, operadores do Direito e sociedade, que é o nosso objetivo final”, anotou o desembargador Ricardo Roesler.

 

  • Leia a íntegra do editorial do SINJUSC neste link