O delegado da Polícia Federal Igor Irigon Gervini, responsável pelo inquérito da Operação Alcatraz, solicitou à Justiça Federal nesta sexta-feira (27) a prorrogação do inquérito por mais 120 dias a fim de dar continuidade às investigações.

O delegado destaca o surgimento, no curso das investigações, de indício de crimes envolvendo contratos da Secretaria de Estado da Educação, além de novas irregularidades no âmbito da Secretaria de Estado da Administração, cujo ex-secretário adjunto, Nelson Castello Branco Nappi Júnior, é apontado pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) como uma das principais lideranças da alegada organização criminosa (a defesa de Nappi Júnior, recentemente beneficiado com prisão domiciliar, nega as acusações).

Junto com o despacho direcionado à juíza federal Janaína Cassol Machado solicitando mais prazo, o delegado, titular da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crime Financeiros da PF, encaminhou também novo relatório parcial da investigação, que foi deflagrada em 30 de maio de 2019 e apura alegado esquema de fraudes em licitação, desvio de recursos públicos, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo agentes públicos do Estado e empresas prestadores de serviço.

No relatório, de 186 páginas, Gervini detalha à juíza as provas que a PF diz ter recolhido sobre seis agentes públicos e empresários indiciados recentemente denunciados pelo MPF (leia aqui). No despacho que solicita a dilação do prazo de conclusão do inquérito, o delegado justifica a necessidade de novas investigações e ainda as dificuldades impostas pelas restrições criadas com a pandemia do coronavírus.

Conforme o delegado, restam “providências pendentes, entre elas, a oitiva dos envolvidos para esclarecimento dos fatos, produção e análise dos Relatórios de Material Apreendido com base nas extrações dos equipamentos eletrônicos apreendidos”

Diz o delegado federal em um trecho do documento:

[…]
“Embora os esforços realizados com a dedicação da equipe policial e desta autoridade policial voltados para conclusão dos trabalhos policiais demonstrado, inclusive, com a já apresentação de 14 relatórios parciais, documentos estes que somados apontam mais de 4.200 laudas, sem contar os demais documentos elaborados em âmbito policial após a deflagração desta operação, cumpre apontar, por óbvio, que restam, no escopo deste apuratório policial, fatos pendentes de conclusão investigatória, inclusive, vários deles, com veementes indícios de práticas criminosas por parte dos envolvidos, entre eles, 1) demais atos com indícios de fraudes relacionados a processos licitatórios no âmbito da Secretaria de Administração do Estado de Santa Catarina (SEA) e Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina (SED) ligados a empresa (XXXXX*)”.

Fontes ouvidas pelo Portal JusCatarina indicam que, ante a fundamentação do despacho do delegado federal e o novo relatório apresentado, o pedido de prorrogação  do prazo de conclusão do inquérito deve ser deferido pela juíza federal.

(*)O nome das empresas citadas e a íntegra dos documentos não são divulgadas em razão do segredo de justiça.