Advogado Isabela Bergamasco

Os diversos desafios que o jovem advogado enfrenta no início da carreira são notórios, porquanto diariamente vivenciados, mas também são, felizmente, bastante debatidos na esfera institucional, que oferece absoluto suporte com vistas ao crescimento profissional de cada advogado que recém ingressa nos quadros da Ordem.

No que diz respeito à mulher advogada, cuja carreira também é bastante apoiada institucionalmente nos dias atuais, igualmente existem obstáculos, uma vez que algumas gerações ainda atrelam à figura masculina o exemplo ideal de advogado competente.

Nesse contexto, chama-se à reflexão acerca dos desafios enfrentados pelas mulheres jovens advogadas. Convém frisar que na OAB/SC, por exemplo, as jovens advogadas representam mais de 50% dos profissionais em início de carreira, o que demonstra que a força feminina já despertou para a batalha.

Observa-se, como ponto comum entre as colegas, a busca permanente pela qualificação profissional, bem como pelo respeito na posição de suficientes representantes de seus clientes frente a eles mesmos e ao Poder Judiciário e demais órgãos.

Este comportamento, fruto de muitos anos de oposições, enfrentamentos e proposições inclusivas, é uma conquista que nos afasta definitivamente de uma posição introvertida perante os demais, especialmente no âmbito profissional.

É certo que ainda há resquícios de comportamentos hostis com as jovens advogadas, pois carregam o duplo atributo de ser mulher e principiante, os quais ensejam o prejulgamento de serem inexperientes e frágeis.

Entretanto, as profissionais jovens vêm se posicionando de forma a elidir tais comportamentos, basta verificar nas salas de sessões dos Tribunais, nas audiências, no meio acadêmico e nas lideranças institucionais; o fato é que não devemos parar.

Fala-se muito, atualmente, sobre empoderamento feminino, expressão que, em um primeiro momento, denota “poder”. No entanto, a palavra “empoderamento” é derivada do inglês – empowerment –, traduzida como “fortalecimento”.

Certamente a força é uma virtude que jamais deixou de acompanhar as mulheres advogadas. E as jovens têm absorvido cedo que o treinamento para o bom combate é difícil, o que as leva a trazer à superfície o destemor, por vezes adormecido, que é naturalmente presente na natureza feminina. Neste momento ocorre o empoderamento, o fortalecimento, da mulher jovem advogada.

Sensibilidade, delicadeza, empatia, disposição em ouvir, capacidade de enxergar além do óbvio são atributos inerentes às mulheres e, a partir deste despertar, apropriando-se do seu “poder pessoal”, a jovem advogada deve compreender que suas virtudes podem ser brilhantemente empregadas no alcance do sucesso profissional.

Por via de consequência, nasce a tão desejada autoconfiança – que não deve ser um sentimento de superioridade em relação aos outros, mas sim a desnecessidade de se comparar. E, falando nisso, sejamos jovens advogadas que apoiam e motivam umas às outras, pois quando conduzimos o outro a um lugar melhor do que estava, em qualquer âmbito, formamos uma grande corrente afetiva a qual confere leveza às relações profissionais.

Por tudo isso, Jovens Advogadas, este caminho recém inaugurado não deve ser temido. Resgate o seu “empoderamento” e acredite nele. Não deixe que os problemas do dia-a-dia desmantelem a sua sensibilidade, utilize-a como aliada. Nós temos a força do mundo no nosso interior, pois somos capazes de gerar a vida!

Sigamos cumprindo nossas obrigações de forma fiel ao que acreditamos; já estamos incluídas, o respeito e a deferência que ainda carecem só depende de nos mantermos empoderadas, fortalecidas, unidas e graciosas!

 

Isabela Bergamasco, advogada, pós-graduanda em Direito Processual Civil e em Agronegócio e Gestão empresarial. Gerente de Operações Jurídicas da EDS – Eduardo Souza Advogados Associados. Membro das Comissões de Acesso à Justiça e de Direito Agrário e Agronegócio da OAB/SC. Presidente da Comissão de Acesso à Justiça e membro da Comissão da Jovem Advocacia da 20ª Subseção da OAB/SC.