No Dia Internacional da Mulher, o Portal JusCatarina reproduz artigo da Procuradora de Justiça Criatiane Rosália Maestri Böell. Confira:

Por que precisamos do Dia Internacional da Mulher?

Estamos no Século XXI e uma em cada três mulheres no mundo sofrem violência sexual ou física, grande parte por seus parceiros, conforme dados publicados pela ONU em 2018. Mas não precisamos buscar informações distantes para conhecer das violências que a mulher sofre pela sua condição de ser mulher. Basta um olhar para nossa seara de vivência e nos deparamos com números assustadores de violência de gênero contra a mulher.

Reportando-se aos feminicídios, segundo dados da SSP/SC, registraram-se no ano de 2019 em Santa Catarina, 58 feminicídios. Esses números têm nomes, têm vidas ceifadas, filhos órfãos e famílias destroçadas. Nomes como de Érica que só tinha 16 anos de idade e de Miquilina que contava com 76 anos.

Muito temos a fazer, pois segundo o IBGE, as mulheres brasileiras trabalharam quase que o dobro que os homens nas tarefas domésticas. Os comportamentos femininos são muito mais julgados que os masculinos, como demonstra a pesquisa Datafolha 2016, em que 42% dos homens brasileiros disseram que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas” e 33% da população (homens e mulheres) acreditam que a vítima é culpada pelo estupro.

Ora, a história nos remete a séculos e séculos de desigualdade de gênero, de relações assimétricas entre homens e mulheres. A virilidade relacionada à paternidade e à autoridade sempre sustentaram a masculinidade hegemônica do patriarcado, sob o disfarce da moralidade. Romper o ciclo vicioso de discriminação, quando essa mesma cultura impõe ainda hoje condutas estereotipadas para homens e mulheres, legitimando ou exacerbando a violência contra a mulher, é o desafio.

Por isso o Dia Internacional da Mulher. Oportunidade para se refletir, questionar e problematizar os estereótipos e os papéis sociais que historicamente se impôs a homens e mulheres no ambiente doméstico, social e político, com vistas ao enfrentamento de todas as formas de discriminação que impedem que a mulher viva com liberdade e faça suas próprias escolhas.

Cristiane Rosália Maestri Böell – Procuradora de Justiça e Coordenadora do GEVIM – Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).