Luana Silveira Marques

A Advocacia, que lida com a parte, com o judiciário, com os cartórios, com os peritos, ela que é a porta voz daquele que por muitas vezes não tem voz.

Em um Colégio de Presidentes Jovens da OAB de Santa Catarina, em um discurso de finalização foi proferido que a OAB do futuro somos nós, a Jovem Advocacia. E somos, de fato, não por que representamos mais de 50% do quadro da Ordem, falo do modelo de aplicação jurídica que tenho presenciado e realizado.

A Jovem Advocacia vem abandonando cada vez mais o modelo antigo de briga, litígio, confronto e desgaste. A jovem advocacia tem entendido que nascemos com propósitos, RESOLVER PROBLEMAS, DIMINUIR DEMANDAS e MELHORAR VIDAS, e nem sempre (ou quase nunca) vence quem grita mais forte ou mais alto, vence aquele que entende que para todo problema há uma solução, e por vezes, ela consegue ser resolvida através do acordo, da mediação e da própria conciliação.

E não digo aquela realizada pelo Judiciário, digo aquela realizada pelos procuradores na forma extrajudicial. Aquela máxima de que advogadas e advogados “são o primeiro juiz da causa”, nunca fez tanto sentido como em tempos atuais.

A Advocacia do futuro, vem para diminuir o litígio no judiciário, vem para minimizar as abarrotadas filas de demandas, ela vem para colaborar com o próprio judiciário, este, que por vezes, vem abandonando a aplicação do que é justo, para ser um simples gestor de processos.

A Advocacia do Futuro ou a Jovem Advocacia vem para equalizar problemas, aniquilar demandas, fazer com que os clientes e a própria sociedade compreendam que os problemas podem sim ser resolvidos sem a intervenção do Judiciário, utilizando este, como meio último para resolução de conflitos.

Aos estudantes de Direito que desejam iniciar na militância da Advocacia, ou ainda para aqueles “Deus me livre a Advocacia” (pois a época da graduação eu pertencia a este grupo, e tudo isso, por que não a conhecia. Ignorância é sempre um problema, senhores), eu aconselho, experimentem.

Advogar não é fácil, trabalhar com pessoas (de pertinho) o dia inteiro é cansativo, pleitear (todos os dias.. e às vezes duas ou três vezes no mesmo dia) junto aos Cartórios e Judiciário é doloroso, receber muitos não’s, levar puxadas de tapete de colegas de profissão, levar empurrões dos próprios aplicadores da lei, ouvir “Nossa.. mas tão jovem”, “Vixi, é mulher, nem deve ter tanta competente assim”, “Nossa mas se especializar pra que?”, “Nossa mas você aqui pedindo de novo?”, levar mais não’s, é um desafio bem doloroso, mas afinal o que não te desafia não te faz mudar, não é mesmo?

Há um texto do brilhante Carl Jung que sempre levo comigo e profiro muitas vezes na entrega de credencias em nossa Subseção, que espelha exatamente a profissão da Advocacia, que ultrapassa qualquer linha de juridiquês: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

A Advocacia vai muito além do Juridiquês, da boa vestimenta, dos termos em latim e das eximias peças e sustentações orais, ela é humana, ela é de alma. Seja bem-vinda(o) a Advocacia do futuro.

Luana Silveira Marques é advogada, especialista em Direito e Negócios Imobiliários. Auditora do Tribunal de Justiça Desportiva de SC. Auditora da Comissão Disciplinar da Liga Imbitubense de Futebol – TJD-Fut/SC. Presidente da Comissão da Jovem Advocacia da 30 Subseção – Imbituba/SC. Presidente da Comissão do Direito Imobiliário da 30 Subseção – Imbituba/SC.

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