A “Advocacia 4.0” é, em sua essência, movida por intensas revoluções tecnológicas.

Tais inovações são, indubitavelmente, indispensáveis ao exercício da advocacia e, por isso, são utilizadas – em larga escala – como mecanismos comprovadamente eficazes de marketing jurídico materializados através de posts para redes sociais, artigos para sites especializados (como este!), canais de vídeos no YouTube, podcasts no Spotify, entre outros.

O que inquieta – certa forma – é que em muitas oportunidades nós (mas não só nós), jovens advogados, não conferimos o devido foco – e o devido valor – também ao que é, podemos dizer assim, rudimentar.

Protagonismo, trabalho intenso, ética e valorização profissional podem ser ferramentas de marketing básicas, mas certamente são importantes para o desenvolvimento do profissional da advocacia (principalmente para quem está em início de carreira) e devem ser utilizadas indiscriminadamente (ainda mais em um universo onde as publicidades em geral possuem uma série de limitações legais e onde muitos colegas esquecem destas balizas).

Aliás, é possível dizer que as quatro ferramentas indicadas acima trazem um dos melhores “custo x benefício” (e tá aí um binômio que nós, jovens advogados, realmente apreciamos!) no universo do marketing jurídico: são gratuitas, respeitam as disposições normativas da OAB e proporcionam um incrível retorno – financeiro, pessoal e profissional – se bem aplicadas e quando utilizadas em conjunto com as técnicas modernas de divulgação permitidas! Explico:

Não se ignora que o início na advocacia é recheado de desafios e de percalços. A propósito, os jovens advogados, em regra, são aqueles que mais podem atestar a veracidade da famosa frase de Sobral Pinto que falara – há muito tempo e com o costumeiro acerto – que a Advocacia não é uma profissão para covardes.

Construir uma reputação é, sem sombra de dúvidas, um caminho árduo e que exige muitos sacrifícios! Muitas vezes, temos que ter extrema coragem para superar as adversidades, para seguir firmes em busca dos nossos sonhos e dos nossos objetivos profissionais e pessoais, bem como para nos posicionarmos de modo – positivamente – marcante no mercado de trabalho.

Se quisermos edificar nossa “autoridade” em determinado ramo do direito – e conquistar um número satisfatório de clientes – precisamos aparecer, não no sentido pejorativo, mas sim no sentido de nos apresentarmos, com PROTAGONISMO, como profissionais qualificados da advocacia.

Esta transição de “coadjuvante” que persegue o caminho do protagonismo pode ser trilhada de várias formas, mas, para sugerir algumas, destaco: a utilização dos instrumentos de marketing digital; a participação em comissões e em atividades da OAB e a atualização constante a partir de cursos de aperfeiçoamento profissional, por exemplo.

Esse protagonismo, portanto, passa pelo TRABALHO INTENSO do profissional no exercício da advocacia e, igualmente, no âmbito do pertencimento ao Órgão de Classe, do aprimoramento técnico e da produção de conteúdo relevante ao seu público alvo nas mais variadas plataformas.

Por outro lado, é necessário ter em mente que, ainda que conquistada, essa autoridade e os clientes que dela decorrem só serão mantidos se a atuação do profissional for pautada pela ÉTICA, pela dedicação irrestrita e pela retidão moral (caracterizada, principalmente, pela transparência e pela sinceridade na análise do caso concreto). O atendimento ao cliente – quando balizado nestes preceitos – certamente fará com que as pessoas confiem em você e tenham orgulho em dizer a quem quer que seja – no famoso ‘’boca a boca” – que contratou um(a) bom(a) advogado(a).

A partir deste ponto, aparecerá a importância da VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL: passamos a ser conhecidos – e procurados – pela qualidade do serviço ofertado (representada, para o mercado, pelas simples “técnicas” de marketing acima dispostas!) e, em razão dela, os clientes não se importarão em nos remunerar bem, ou seja, não seremos aqueles advogados que são contratados apenas em razão do preço mais baixo ofertado (que, mesmo diante de previsões proibitivas expressas do Estatuto da OAB e do Código de Ética da Advocacia nesse sentido, infelizmente ainda existe!).

E é aí, nobre colega, que tudo passa a fazer sentido!

Você começa a receber a “recompensa” pelo seu protagonismo, pelo seu trabalho duro, pela sua ética e pela sua dedicação (em graduações, pós-graduações, cursos, palestras, expressivos valores investidos na compra materiais de estudo e de trabalho e, principalmente, horas de dedicação integral para tentar fazer com que seu serviço se destaque e para que seja possível estar apto (a) a fazê-lo/ofertá-lo com excelência) e passa a se preocupar menos com as despesas mensais fixas de praxe no início da trajetória profissional (para citar algumas: água, energia elétrica, internet, aluguel, materiais de trabalho, combustível…), passando a entender que, definitivamente (e além de toda satisfação pessoal que a profissão nos proporciona), tudo valeu a pena.

Você, mesmo sem perceber, passou (em meio ao caos inerente aos dias – e as noites – da “rotina jurídica”) por uma – simples, mas indispensável e fundamental – imersão de marketing jurídico! Pilares basilares e simplórios que, embora ainda estejam sendo “colocados para escanteio” por muitos profissionais, representam, em uma humilde opinião, ferramentas inigualáveis – e atemporais – para a prospecção de clientes na advocacia.

Leonaldo Marcelino Junior é advogado. Graduado em Direito pelo Centro Universitário Para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (UNIDAVI – 2012/2017). Pós-Graduando em Direito Processual Civil pelo Centro Universitário Para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (UNIDAVI – 2018/2020). Membro da Comissão da Jovem Advocacia da OAB/SC. Presidente da Comissão da Jovem Advocacia da Subseção de Rio do Sul da OAB/SC.

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