Um dia você acorda e seu nome consta na lista dos aprovados no vestibular. Num piscar de olhos, já está fazendo as matérias de conclusão de curso e se debatendo para adequar seu trabalho às normas da ABNT (quem nunca, não é mesmo colegas?).

Junta-se a isso tudo o Exame da Ordem, que tira o sono de qualquer mortal até conseguir os 40 pontos, e tira o sono mais uma vez enquanto este mesmo mortal estuda as peças e questões para a segunda fase (quem nunca, não é mesmo colegas? – Parte 2).

Após suado e estafante período, chega o grande dia, a formatura! O seu nome (mais uma vez, o seu nome) é chamado, você se levanta conforme foi repassado pelo protocolo, e caminha em direção ao diploma… Ah, que momento meus amigos!

Depois do pico de felicidade, comemoração e alegria – que é típico de alguém que acabou de se formar em Direito – cada um segue seu caminho… E para aqueles que decidem pela carreira da Advocacia, nomes (novamente nomes) são anunciados para receber a tão sonhada e aguardada Carteira da Ordem dos Advogados do Brasil, numa cerimônia que para mim, foi linda, e será lembrada eternamente.

Mas e agora? O que acontece? Muitos colegas entram no mercado de trabalho com um planejamento impecável, atuando sozinhos ou em outros escritórios, mas muitos também começam sem saber o que fazer, como fazer, ou quanto cobrar. A insegurança e a falta de experiência acometem o Jovem Advogado sim, da mesma forma que a vontade de fazer justiça, receber deferimentos, procedências, honorários e alvarás.

E assim como tudo na vida, na Advocacia não seria diferente: apenas o trabalho duro e a pele em jogo – skin in the game – nos tornam mais fortes e capazes.

Agora seu nome é chamado para audiências, seu nome está em uma inicial que estudou muito para elaborar e revisou milhões de vezes antes de protocolar, seu nome está naquele recurso (alô aulas de processo, que saudade!), seu nome está no contrato e na negociação que foi você o Advogado responsável por elaborar, seu nome está na assinatura de e-mail, seu nome, seu nome, seu nome…

Seu nome não é mais chamado apenas para receber títulos: agora você os exerce. E por conta disso, carrega uma responsabilidade maior ainda, já que encerrou o período de ser estagiário, ou de fazer parte do Núcleo de Prática Jurídica da faculdade. Em um curtíssimo espaço de tempo, deixa-se de lado o papel do Estudante Universitário para assumir a profissão do Advogado, e por mais que todos nós tenhamos nos preparado durante a faculdade, nunca estaremos aptos para resolver de forma instantânea todas as situações que o universo jurídico consegue criar e “gentilmente” (leia-se do nada), trazer aos nossos ouvidos: precisamos trabalhar com as informações disponíveis e as circunstâncias dadas.

Você entende – eu entendi numa velocidade impressionante – que para ser Advogado não basta apenas litigar – mas sim atuar com outras formas de resolução de conflitos; especializar-se; ter uma visão estratégica do mercado; administrar o financeiro e gerir o escritório para garantir sustentabilidade e eficiência, além do faturamento; atender clientes e trabalhar na prospecção e diversificação de novos contratos; apresentar desfechos; lidar com as tendências dos julgadores, repercussão geral e a instabilidade da jurisprudência.

Não suficiente, temos que explicar aos nossos clientes que nós Advogados prestamos um serviço de meio, e não de resultado, e que apesar de todos os esforços e estudo despendido, não podemos garantir o êxito da ação; devemos respeitar a parte contrária e o colega que a defende; entender que o sistema não funciona de forma imediata, e que externalidades como questões políticas, econômicas e sociais influenciam diretamente a nossa atuação. Não podemos esquecer ainda do uso cada vez mais frequente da tecnologia no campo jurídico, e do quão importante é a nossa adaptação a ela.

Recado de uma Jovem Advogada que atua em um oceano vermelho juntamente com tantos outros colegas, e busca chegar ao tão sonhado oceano azul, assim como tantos outros colegas também: conhecimento técnico é atributo de entrada, mas não de permanência no mercado. Há muito mais a se pensar, e principalmente, a se fazer, além de apenas litigar.

Por isso é necessário ter em mente a importância da união e do apoio da classe, e de forma tão ou mais necessária, o comprometimento do Jovem Advogado: é o seu nome que está em jogo – é o meu nome que está em jogo.

Em tempos de transição da Advocacia, cabe ao Jovem Advogado ser resiliente e acreditar que a Jovem Advocacia pode, e deve! É o nosso nome em prol da classe, da sociedade, dos nossos clientes, e do nosso futuro.

Bruna Leticia Becher é advogada, presidente da Comissão de Jovem Advocacia da Subseção de Joaçaba e Secretária da Coordenação das Comissões da Subseção de Joaçaba