Um anúncio de jornal de 1855 é o registro mais antigo que se tem da casa da chácara da Rua Bocaiúva número 1792. Em seus 251 metros quadrados, o imóvel, que tem características das edificações luso-brasileiras, valoriza as salas para receber visitas e os ambientes reservados à família. A construção é um lugar de memórias, de referências de vida e convivência que foram se transformando, junto às mudanças da própria paisagem, ao longo de mais de um século.

os edifícios modernos e o trânsito intenso de hoje em nada se parece com a “Bocayúva” do século XIX, que ainda era um caminho de terra ocupado por construções esparsas. Foi nesse período que se construiu a Casa Bocaiuva. Parte da memória dessa edificação, tombada desde 1986, restaurada entre 2017 e 2018 e incorporada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), resultou no livro “A Casa de Chácara da Rua Bocaiuva – Histórias da Praia de Fora”, lançado nesta quinta-feira (07/11).

O evento, que ocorreu na própria Casa Bocaiuva, contou com sessão de autógrafos da autora, professora e arquiteta Eliane Veras da Veiga, apresentação do Grupo Cantoria, da Associação Catarinense do Ministério Público (ACMP) e exposição de telas do pintor Joel Figueira com representações imagéticas da Casa. A publicação, que marca oficialmente a entrega da edificação para a comunidade, foi coordenada pelo Memorial do MPSC.

“Esse local representa muito mais que uma configuração arquitetônica de uma casa de chácara. É a possibilidade de resgatarmos a nossa história, cultura e identidade para compreendermos como chegamos até aqui e como a cidade se tornou o que ela é hoje: a nossa querida Florianópolis”, afirmou o Procurador-Geral de Justiça, Fernando da Silva Comin.

O PGJ complementou: “Aqui testemunhou-se todo o progresso da nossa comunidade, toda a transformação dos valores turísticos, históricos e paisagísticos que caracterizam a essência do cidadão florianopolitano. E, agora, o MPSC tem a oportunidade fantástica de se abrir à sociedade e de se aproximar do cidadão catarinense entregando esse espaço público, que faz parte da memória da cultura catarinense.”

Aproveitando a importância histórica e cultural da casa, o MPSC decidiu utilizar a estrutura como forma de fortalecer sua atuação para a preservação da memória e cultura catarinenses. A edificação, incorporada ao MPSC, em breve ficará aberta para a sociedade como Centro de Memória e Espaço Sociocultural. “O evento de hoje projeta e reafirma o MPSC não só como instituição protetora deste patrimônio, mas também como promotora de valores históricos, artísticos e culturais”, ressaltou o Presidente da Associação Catarinense do MPSC, Marcelo Gomes Silva.

 

 

O livro

Por meio da história da Casa Bocaiúva conta-se também a história do Centro de Florianópolis e de toda a sociedade da época. Dividido em nove capítulos, com fotos e mapas inéditos, a obra é um chamamento à consciência histórica e cultural da cidade, sem deixar de lado a crítica e a reflexão sobre as mudanças paisagísticas que ocorreram ao longo do tempo.

“Foi um grande desafio, mas também uma descoberta de pessoas que tem informações importantes sobre a rua e sobre suas memórias antigas dentro dessa paisagem que já se transformou tanto, mas que ainda preserva a referência de uma casa da segunda metade do século 19”, conta a autora, Eliane Veras da Veiga, relembrando a história da Casa que passou por três proprietários, sendo os dois primeiros escravocratas, e o terceiro, que a adquiriu em 1920, e ali criou uma grande família em um ambiente alegre e descontraído. “A pesquisa descortinou histórias de famílias que conviveram, por exemplo, com Fritz Muller, que morou na Praia de Fora, e Cruz e Souza, que morou no Largo São Sebastião, por exemplo”, lembra.

A Casa Bocaiúva

Até hoje não se sabe ao certo quem foi o primeiro dono da casa, embora se identifiquem diversos proprietários que fizeram parte de sua história até 2013, quando foi adquirida por uma empresa privada que a vendeu junto com a construção do novo prédio do MPSC. Aproveitando a importância histórica e cultural da casa, o MPSC decidiu utilizar a estrutura como forma de fortalecer sua atuação para a preservação da memória e cultura catarinenses.

Localizada no mesmo terreno da sede administrativa da instituição, a Casa contará ainda com biblioteca, cafeteria e salas de exposições para mostras artísticas e lançamentos de obras. Além disso, será um espaço para oficinas educativas, palestras e eventos que vão aproximar o MPSC da sociedade catarinense.

A Casa Bocaiúva também abrigará o Centro de Memória da Instituição, um espaço público onde documentos que registram a história do MPSC e do estado de Santa Catarina ficarão acessíveis ao público.

 

O texto, as fotos e o vídeo abaixo são da Assessoria de Comunicação Social do MPSC

 

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