Todo o jovem advogado ao adentrar no mundo jurídico, tem para si que “os Tribunais nunca mais serão os mesmos”, graças a sua chegada com muita alta estima, sua vontade de revolução e a proposta de mudanças drásticas nos entendimentos de outrora já consolidados.

Têm-se grande o desafio de lidar com a decepção quando jovens advogados, assim como eu, não atingem os objetivos iniciais traçados ao final da graduação estando, na maior parte, os novos colegas decepcionados com decisões “modelos”, manifestações precárias e sem ter a quem, ou aonde recorrer de tais situações, percebendo que os advogados “medalhões”, que ditam a velha advocacia, mantem-se com o mesmo padrão, sempre com respostas positivas.

O principal desafio após receber a tão esperada e batalhada carteirinha da OAB é descobrir qual o melhor caminho a ser traçado, como se estabilizar em um mercado tão competitivo, mas ao mesmo tempo tão carente de qualidade, objetividade, aperfeiçoamento e no que, atualmente, é trabalhado pelos Nobres Colegas Aury Lopes Jr., Alexandre de Morais da Rosa e Gabriel Bulhões, a denominada Advocacia 4.0.

A Advocacia 4.0 muito bem trabalhada pelos Nobres Lecionadores e colegas, é a necessidade da reformulação dos antigos padrões da advocacia, buscando métodos adequados para pôr em prática a revolução necessária do famoso “copia e cola”, trazendo qualidade para os debates, aprimorando os conhecimentos e estruturando os métodos de produção.

No meu entender há dois caminhos a serem traçados. O primeiro consiste em você se associar a um escritório no qual já é vinculado, dando o salto de estagiário para profissional da advocacia. Entretanto, há uma segunda alternativa, que é aquela de se lançar na advocacia de forma individual, sozinha e buscando a cada minuto adquirir experiência, evoluir o nome como advogado, ter mais e mais clientes, muitas vezes não tendo total noção se aquele procedimento é o adequado para o seu cliente.

O primeiro caminho, ainda, parece ser o mais indicado, tendo em vista a experiência dos demais colegas, estrutura física do escritório e, na grande maioria, o recebimento de ajuda de custo para se manter realizando atos para o escritório e diligência, entretanto ficando a todo o momento vinculado a uma entidade maior, não dando a “explosão” para o nome de forma individual em meio à advocacia.

E isso, normalmente, é o que mais impacta na decisão de jovens e até mesmo velhos advogados a tomarem o segundo caminho, o caminho da “liberdade” profissional, da possibilidade de empreender por conta própria, colocar em prática as vontades individuais e pensar, obviamente, nas condições financeiras melhores.

É por isso que o segundo caminho tende a ser mais prazeroso, atrativo e em condições de colocar em prática as vontades, virtudes e em especial os ensinamentos colhidos durante a graduação. Ter o prazer de receber honorários, ou melhor, o primeiro honorário por conta própria e pelo próprio trabalho é de uma satisfação imensa, dando a impressão de que tudo está no caminho certo.

Chegar ao auge, atingir o topo da advocacia é a sensação prazerosa que se tem quando o trabalho elaborado funciona e dele é possível auferir renda. A experiência aumenta, o advogado se torna mais confiante, tem a necessidade de se profissionalizar, conhecer, aumentar a área de abrangência do estudo e se aprofundar, na ideia de colecionar “títulos” (sentenças procedentes) demonstrando que a vontade inicial, àquela de revolucionar o sistema judiciário está no caminho certo.

Porém, a vida do advogado jovem não é mil maravilhas. Pelo contrário, ela é mil decepções para cada uma maravilha. A insegurança de onde abrir o meu escritório, de qual será a minha renda mensal, qual a minha área de atuação, qual é a melhor estratégia para esse cliente e processo.

O início da advocacia é delicado, pois o mercado exige excelência no seu serviço, cobrando cada vez mais e mais daqueles que iniciam na carreira jurídica advocatícia, onde qualquer erro, por menor que seja, é tomado como catastrófico agindo a todo o momento em contrariedade ao trabalho desempenhado, colocando o nome daquele jovem advogado em xeque.

Isso não pode acontecer. O jovem advogado deve ser forte, consistente, resistente. É a jovem advocacia que condicionará os entendimentos, as novas regras, os novos entendimentos e para isso é necessário aperfeiçoamento, melhoria, evolução no tocante à qualidade técnica.

Para tanto, é necessário determinar a área de atuação, não há como ser o “advogado metralhadora”, aquele que atira para todos os lados. Foca em uma área específica, aprimora os conhecimentos, intensifica os estudos e vire excelência naquela matéria. Estipule um padrão alto de conhecimento e trabalho e assim melhorará o reconhecimento junto aos demais colegas, magistrados e promotores.

O sucesso está direcionado para o lado que é apontado, ou seja, se o jovem advogado busca crescer, atingir elevados padrões de trabalho, melhorar as condições financeiras, pessoais e profissionais, deve a todo momento almejar os objetivos grandes.
No próximo texto dessa série de COMO CRIAR SITUAÇÕES PARA ATINGIR O SUCESSO E TER RECONHECIMENTO NA SUA ÁREA?, vou abordar as diferentes formas de se conhecer a advocacia, os órgãos que estão a seu favor, o que poderá lhe gerar conhecimento no meio em que trabalha e o mais adequado caminho para atingir o sucesso esperado na advocacia jovem.

 

Régis Vitor Nissola Gabriel é advogado criminalista. Formado pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Destacou-se por sua monografia, com o tema de “Uma alternativa para a redução da maioridade penal: Aumento do prazo de aplicação excepcional do Estatuto da Criança e do Adolescente”. Atualmente é pós-graduando pela PUC-RS em Direito Penal e Criminologia com diversos professores como Jacinto Coutinho e Aury Lopes Jr.
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