Por Juliana Jácome

Governo prevê digitalizar mais de 2 mil serviços até 2020. Chegamos num ponto da história a partir do qual não há retorno: o mundo físico encolheu. Mas o que exatamente isto significa? Significa que a digitalização do mundo é uma
realidade da qual os indivíduos e as democracias já não podem (e tampouco devem) esquivar-se.

Neste processo, a relação que o Estado estabelece com o cidadão, mudou radicalmente. As possibilidades de qualificação, por vias digitais, desta relação são enormes e definitivas.

Há também, evidentemente, perigos que estão envolvidos nesta evolução em marcha, e que não podem ser negligenciados. Por exemplo, a privacidade de dados dos cidadãos e o possível alargamento na capacidade de vigilância de governos autoritários sobre seus cidadãos. A manipulação nas eleições, o uso de informações sequestradas em redes sociais para direcionar hábitos e economias, a possibilidade de governos e de mídias (não nos esqueçamos que os veículos de comunicação também são atores políticos) de pensarem na cabeça do cidadão é um risco ao qual estamos todos expostos.

No entanto, a nossa capacidade de resolver essas questões é muito maior do que as dificuldades inerentes a essas questões. O caráter positivo desta vaga de digitalização das democracias é inegável. As melhorias reais, práticas, na vida das pessoas abarca o cotidiano dos cidadãos na sua integralidade.

Melhorias que vão desde a possibilidade de acompanhar rotas e distância em tempo real de ônibus e metros, de gerar um B.O. digital em caso de extravio de documentos, até o acesso a prontuários de saúde, de agendamento de consultas, o auxílio online de defensoria pública, o pagamento de impostos pela internet, de emissão de certidões, de consultas de documentos, a possibilidade do segurado requerer seus benefícios previdenciários em plataforma digital do INSS e mais uma infinidade de outros serviços públicos que estão cada vez mais ao alcance da mão de qualquer cidadão, esteja ele onde estiver.

Isto é realmente uma alteração essencial e positiva não apenas na vida das pessoas, mas também na estrutural estatal dos governos, estrutura esta geralmente inchada e ineficiente. A economia que a digitalização proporciona aos cofres públicos, tornando a máquina estatal mais acessível e eficaz é uma vitória de todos nós. Tendo em mente essas questões, na ultima quarta (25), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que “A expectativa é de que, até o final de 2020, todos esses registros do governo já estejam disponibilizados nesse tipo de plataforma, “ao alcance de qualquer smartphone”, declarou no 17º Fórum de Certificação Digital (CertForum).

O “Governo Digital” representa a modernização dos serviços que o governo presta ao cidadão, além de uma efetividade nos serviços que garantem que todo cidadão cumpra seus deveres cívicos. Os serviços prestados online além de garantirem rapidez também geram praticidade por serem acessíveis até mesmo em um aparelho celular, com uma conta de e-mail.
Porém o que se percebe é que as pessoas acima de 50 anos, sequer sabem criar um e-mail e se tornam dependentes de terceiros para acessarem os serviços.

Justamente por essa razão foi pensado na JURcidadao, da startup JurWAY uma plataforma que permite o cidadão aprender a se digitalizar. É preciso, contudo, não apenas investir na alfabetização digital de crianças e adultos, mas desenvolver em cada um a capacidade de discernimento e a criticidade necessária, criando assim condições epistêmicas para que o cidadão
aprenda a reconhecer golpes digitais, por exemplo, fake news e não se deixe arrastar por eles. Essa é a condição de possibilidade de um mundo melhor.

Juliana Jácome – CEO da startup JurWay, advogada no Jácome Advocacia e jornalista no ConsuPREV Assessoria de Comunicação.