Por Henrique Mota

Advogar está além de possuir a credencial da OAB. Advogar está entre o amor, a fé e a paciência. O elo perfeito.

Amar o que se faz, sempre e indubitavelmente, irá garantir a resistência necessária para prosseguir. Fé na aplicação das leis, na busca da equidade – ainda que a realidade diga o contrário – e na indispensabilidade do advogado à administração da justiça. Ser paciente, ou aprender a ser, na tentativa de compreender o sistema e subsidiar a saúde mental que cauciona qualquer profissional em um mercado bastante vasto, é verdade, mas não menos competitivo e constantemente mutável. Some-se a tudo isso e muito mais, a dificuldade de dar o primeiro passo, sair da zona de conforto, estartar.

No início de carreira não há grande cartela de clientes, nem renda considerável, nem certidões de trânsito em julgado ou execuções de honorários. Prontamente se apresenta a necessidade de amor, fé e paciência.

Explico. Os percalços serão muitos. É preciso diariamente lidar com um Poder Judiciário com mais processos que pessoas capazes de processá-los. É imprescindível trabalhar com procedimentos complexos que necessitam ser traduzidos para linguagem do cliente, que não tem obrigação de compreender na movimentação processual o despacho, o recebimento do processo, a remessa de publicação da intimação e a contagem de prazos. É indispensável crer que a petição será lida, as provas valoradas, a lei interpretada e a decisão motivada.

Em todas essas práticas rotineiras há amor, fé e paciência, percebem? Erros, acertos, cobranças, metas, ensinar, aprender, experimentar, aprimorar, renunciar, conquistar, enfim, bradar com orgulho a conquista de ser advogado e abrilhantar-se na busca pela excelência.

Mas não é só. Não basta ser advogado. Não mais. Há que ser gestor, empreendedor, fazer cafezinho, atender telefone, fazer cópia de processos, ir ao cartório, ao gabinete do magistrado, à audiência, reuniões, investir em networking, especializar-se, etc.

Isso porque é provável que, no início da carreira, não se tenha uma equipe. É comum que seja assim. Talvez o jovem advogado seja parte de uma equipe. E também é comum que seja assim. São os desafios comuns à esta fase que colocam o jovem advocacia em posição de igualdade.

Por sorte, não se está só. As Comissões da Jovem Advocacia possuem importante papel na recepção e apoio ao profissional que passa a integrar os quadros da Ordem, garantindo-lhe sejam assegurados os direitos naturais de advogado, as prerrogativas funcionais e o respeito esperado, dando-lhe condições do exercício pleno do ministério privado e reverente que é advogar, a buscar, a despeito dos obstáculos e desafios, que o amor não seja abalado, que a fé se sustente e a necessidade de exercício da paciência seja mitigada.

As atividades das Comissões da Jovem Advocacia na Seccional e nas Subseções têm revelado, cada vez mais, a expressividade e representatividade da classe jovem, afim de acolher o advogado iniciante, tornar esse grupo cada vez mais aguerrido, presente e participativo na seara institucional e também na sociedade, sem pré-conceitos ao jovem profissional, a revelar a força e prestígio da categoria, já que, historicamente, a advocacia contribui para o fortalecimento das instituições e prima pelo respeito ao estado democrático.

A participação do jovem advogado na OAB também é fator preponderante para conquista de espaço no cenário atual. As possibilidades de envolvimento institucional são variadas, com destaque às comissões temáticas que contemplam inúmeros ramos de atuação e acompanham a evolução do Direito e da prática advocatícia, através de ações, grupos de estudo e trabalho.

Assim, a instituição é verdadeira mola propulsora para destacar taletos e aptidões, bem como para revelar oportunidades e possíveis parcerias, pois conectar-se com grandes profissionais é tarefa rotineira na OAB e, como se sabe, na lida diária, cultivar bons relacionamentos é vital.

A jovem advocacia possui um potencial gigantesco, por vezes inexplorado. É preciso dedicar-se com garra, doar-se para a instituição em busca de fortalecimento da classe, além de privilegiar-se com os conhecimentos daqueles colegas mais experientes.

Em que pese os benefícios conferidos aos jovens advogados, é conveniente e oportuno demonstrar que inexiste diferenças entre os profissionais. A advocacia é una. Somos advogados! Como diz a canção de Lulu Santos, “nós somos muitos, não somos fracos…”. Então, cada vez mais, mostremos nossa força.

Henrique Mota, advogado, especialista em Direito Público com ênfase em Gestão Pública pela Damásio Educacional. Membro da Procuradoria-Geral do Município de Araranguá. Gestor de políticas públicas do Terceiro Setor. Secretário da Câmara de Conciliação de Precatórios. Conselheiro Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa e Conselheiro Municipal de Assistência Social. Presidente da Comissão da Jovem Advocacia da 20ª Subseção da OAB/SC.