“Oportunidades e Valorização da Jovem Advocacia”

Arthur Bobsin

Este novo projeto da Comissão da Jovem Advocacia é fruto de uma necessidade de criar oportunidades aos jovens advogados e jovens advogadas – aqueles com até cinco anos de profissão – em compartilhar suas experiências, seus problemas, suas soluções e, principalmente, seus desafios do cotidiano na área em que militam.

O nome é uma lembrança a um projeto similar, apenas não em forma de coluna semanal, já realizado pela Comissão da Advocacia Iniciante da Seccional do Paraná, que busca levar conhecimento e oportunidade aos colegas que estão iniciando na carreira.

Inaugurar esta coluna muito me honra, pois as dificuldades entradas pelos jovens advogados e advogadas são lutas diárias para perseverar na profissão.

Não podemos desistir, é necessário perseverar na prática da advocacia, é fundamental levantarmos a cabeça e batermos com as injustiças perpetradas em face do advogado em início de carreira.

Os problemas enfrentados por nós são muitos pouca experiência, altíssima concorrência, dificuldades financeiras, posicionamento no mercado de trabalho – entre muitas outras descobertas a cada dia.

Nós somos aqueles que mais necessitamos do apoio dos advogados mais experientes, e da Ordem dos Advogados do Brasil, baluartes da defesa da Constituição, do Estado de Direito e das prerrogativas profissionais, que muitas vezes são posições contra majoritárias.

Dentre os muitos e importantes avanços criados pela valorização da Jovem Advocacia, está o Plano Nacional de apoio ao Jovem Advogado (Provimento 162/2015), que estabelece oito diretrizes: a educação jurídica com o objetivo de incentivar e proporcionar a inserção do jovem advogado no mercado de trabalho; a defesa das prerrogativas dos jovens advogados; a política de anuidades diferenciadas e desconto para os jovens advogados, desde que não oriundos de outras carreiras jurídicas; a criação do piso de remuneração mínima para os advogados contratados; o apoio e a ampla participação dos jovens advogados nas decisões das Seccionais e Subseções; a institucionalização das OAB Jovens nas Seccionais e Subseccionais como órgãos de defesa, apoio e valorização do jovem advogado; a promoção do empreendedorismo e a incorporação de novas tecnologias objetivando proporcionar ao jovem advogado crescente qualificação e incentivo para estabelecer o primeiro escritório, conferindo-lhe noções práticas sobre gerenciamento, administração e o plano de trabalho correspondente; condições diferenciadas nos serviços prestados pelas Caixas de Assistência dos Advogados.

Uma mudança da advocacia do século passado para os dias de hoje é a alta especialização do mercado, que abre novas possibilidades aos jovens advogados, como inteligência artificial aliada ao direito, tecnologia, startups, criptomoedas, segurança da informação, até a reforma trabalhista. O fato é que oportunidade não falta ao jovem advogado e advogada, cabendo unicamente ao profissional perceber este direcionamento e abraçar a oportunidade.

Essa alta especialização aliada a rápida troca de informações e de conhecimento criam um ambiente fértil àqueles que sabem aproveitar a mudança. É o jovem advogado, pedra fundamental desta alteração no paradigma, que deve buscar seu espaço neste mundo de oportunidades.

Além disso, mesmo com todas as transformações e mudanças no mercado de trabalho, a advocacia ainda é uma profissão muito pessoal, onde o contato com o cliente ainda é feito olho no olho, razão pela qual o advogado possui características personalíssimas, como: especialidade, pontualidade, discrição, profissionalismos na gestão, disponibilidade, humanidade.

Uma das principais características de um advogado atuante é sua rede de relacionamentos, tanto da área do direito, como fora dela. É deste conhecimento da dinâmica do espaço em que vive que o advogado entende qual a dor de seu cliente.

Mais do que isso, é fundamental que o jovem advogado conheça o Estatuto da OAB e o Código de Ética, não apenas para acertar as questões do exame de ordem, mas principalmente porque lá constam todos seus direitos e deveres, que devem ser respeitados pelos demais sujeitos do processo. Em relação as prerrogativas, é imprescindível divulgar o “Defesaap” da OAB/SC, que funciona 24h por dia para atender as violações das prerrogativas da advocacia catarinense.

Enfim, o advogado precisa amar o que faz, pois advogar é vocação, é acordar pela manhã e saber que a profissão é responsável por defender a liberdade as pessoas.

Advogar é tudo isso é mais um pouco. Advogar é paixão. É orgulho. É saber que os frutos não serão colhidos de forma imediata. Não será amanhã, nem depois de amanhã e nem depois… os frutos demoram, por isso é necessário perseverar na advocacia.

É saber lidar com injustiças. É uma longa jornada, em que não há atalho. E cada estrada é diferente uma da outra e cada uma delas passa um ensinamento diferente.

O ministério da advocacia, pressupõe debate, discussão e defesa do estado democrático de direito, pois em uma conjuntura de fake news, em que tentam vincular a advocacia contra o Brasil, que buscam, de qualquer forma, a extinção do exame de ordem, em um país marcado pela divisão, mostremos, que a jovem advocacia não é o futuro, mas o presente da ordem dos advogados do brasil.

Arthur Bobsin é advogado, especialista em Direito Administrativo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Conselheiro Estadual da Juventude/SC; Presidente da Comissão da Jovem Advocacia da OAB/SC. Auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol Americano.