Comunidade acompanhou júri, realizado na Câmara de Vereadores de São Miguel do Oeste – FOTO: TJSC

Durante a leitura da sentença dos cinco homens condenados pelo homicídio do advogado Joacir Montagna, cometido em agosto de 2018, na cidade de Guaraciaba, no extremo-oeste do Estado, o juiz Márcio Cristofoli defendeu penas mais severas para crimes contra a vida e afirmou: “Se estivéssemos na Indonésia ou no Texas, provavelmente Adelino e Lucas iriam para a pena de morte e teriam inclusive que pagar a bala do fuzilamento”.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) Adelino José Dala Riva contratou os irmãos Lucas Gomes dos Santos, Abel Gomes dos Santos e David Gomes dos Santos para matar o advogado. As penas aplicadas aos quatro condenados pelo homicídio vão de 34 a 46 anos de prisão. Um quinto réu foi condenado a três anos de detenção por porte ilegal de armas.

“[…] Eu diria apenas só que, fosse vontade minha, provavelmente a pena que viria a ser aplicada seria muito maior, né. Graças a Deus temos projetos de lei agora para aumentar a pena máxima de uma pessoa de 30 para 40 anos. Se estivéssemos na Indonésia ou no Texas provavelmente Adelino e Lucas iriam para a pena de morte e teriam inclusive que pagar a bala do fuzilamento”, afirmou o magistrado, como mostra vídeo que circula nas redes sociais (assista abaixo).

“Vejam, eu sempre repito quem pensa diferente, e na nossa Constituição em tempos de paz não é permitida a pena de morte, mas a família Montagna teve uma pena de morte do Joacir, porque ele nunca mais vai ser visto, nunca mais a gente vai ter contato, né, aquela pessoa tranquila que convivia com todos nós. Mesmo na cadeia todos eles terão direito a receber visitas, né, não vão ficar esse tempo que está fixado, porque primeiro o Tribunal pode baixar a pena, segundo vão trabalhar, vão estudar, não vão ficar efetivamente este tempo de pena. Particularmente, não faço específico a eles, mas digo que o homicídio precisa ter uma pena maior”, defendeu o juiz.

“Não é possível que uma pena – aqui nós tratamos de um homicídio qualificado – mas o homicídio simples começa com uma pena de seis anos, isso é uma vergonha para qualquer sociedade minimamente civilizada. E a pessoa não fica seis anos, ela fica um, dois anos. Então a pessoa mata alguém fica dois anos presa e tá na rua, pelo amor de Deus. Aos que não são partidários dessa minha forma de pensar ou que acham que cadeia não resolve queria que se colocassem no lugar da família Montagna e tivesse um de seus familiares, um pai ou um filho, recebendo um tiro na cabeça e ido pro cemitério. Quem sabe não pensariam um pouco diferente”, prosseguiu o magistrado.

Crime premeditado
De acordo com a denúncia, dias antes da execução, o grupo realizou um verdadeiro trabalho de espionagem da vítima, coletando informações do advogado na internet, visitando as cidades de Guaraciaba e São Miguel do Oeste algumas vezes para localizar o endereço profissional e planejar a rota de fuga, inclusive com aplicativos on-line de trajetos rodoviários, além de realizar ligação telefônica para o escritório para marcar um horário de atendimento com o advogado como se clientes fossem.

No dia do crime, Lucas, Abel e David se deslocaram de Chapecó para Guaraciaba. Enquanto Abel os aguardava em um local combinado, Lucas e David foram ao escritório do advogado em uma motocicleta.

Lucas desceu da garupa da moto e, de capacete, entrou no escritório da vítima. Depois de render duas funcionárias do advogado, entrou na sala onde estava Joacir e anunciou um falso assalto. Quando o advogado, que estava atrás de sua mesa de trabalho, se agachou para pegar o dinheiro exigido no cofre, Lucas, já prevendo que a vítima estaria de costas e abaixada, executou o advogado sumariamente com um tiro na parte de trás da cabeça, causando a morte instantânea.

Depois do crime, Lucas e David fugiram do local pela rota planejada e descartaram a motocicleta e os capacetes em um local ermo, onde seria o ponto de encontro com Abel para fugir no outro veículo. Posteriormente, receberam a arma de fogo utilizada no crime e R$ 7.500,00 de Adelino pela consumação do crime.

A denúncia do Ministério Público alcançou, ainda, José de Almeida, tio dos três irmãos. Ciente do crime praticado, ele tentou vender uma arma ilegal para custear a defesa dos sobrinhos.

O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de São Miguel do Oeste reconheceu a prática dos crimes atribuídos aos réus pelo Ministério Público, e condenou os cinco denunciados. A decisão é passível de recurso.

Com informações da Assessoria de Imprensa do MPSC
O vídeo foi gravado e editado pelo repórter Cristian Lösch