Com a chegada do segundo semestre, novas metas, planos e perspectivas chegam junto. Não é diferente no âmbito profissional, em que o planejamento da carreira é formulado e traçado. Entretanto, sempre em conjunto com os planos e perspectivas, chegam os desafios, principalmente para aqueles que estão começando a árdua carreira da advocacia.

As dificuldades enfrentadas por nós, jovens advogados e advogadas – pouca experiência, altíssima concorrência, dificuldades financeiras, posicionamento no mercado de trabalho, rede de relacionamentos – estão cada vez mais latentes em um país com mais de um milhão de advogados.

De qualquer forma, um ponto é consenso: é difícil começar a advogar.

Dito isso, talvez uma das principais características de um bom advogado é sua rede de relacionamentos. Um bom advogado é aquele que conhece as pessoas ao seu redor, que, por conhecer a dinâmica do espaço em que vive, sabe qual a necessidade de seu cliente.

Talvez uma das principais oportunidades que a Ordem dos Advogados do Brasil oferece para o jovem advogado é participar da OAB e, assim conhecer outros advogados, são as comissões temáticas, órgãos de assessoramento do Ordem dos Advogados. É uma ótima oportunidade para que os jovens advogados superem a dificuldade inicial de se criar uma rede de relacionamentos.

Aqui é importante fazer uma consideração de extrema relevância que é a Cláusula de Barreira, que é a efetiva participação da jovem advocacia nos cargos eletivos da Ordem dos Advogados do Brasil.

A chamada “Cláusula de Barreira”, que impede a jovem advocacia de concorrer a cargos eletivos no processo eleitoral da OAB, fere diretamente o princípio constitucional da isonomia, positivado no artigo 5º da Constituição Federal, que consagra a regra fundamental de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

É justamente por isso que a jovem advocacia brasileira, mais de 40% de todos os advogados e advogadas brasileiros, não pode ter tolhido seu direito à participação plena na vida política da entidade. Trata-se de uma barreira despropositada e injusta.

Não há como negar que outra dificuldade para os jovens advogados é o incentivo ao concurso público, que é estimulado desde o início da faculdade, seja pelos professores, ou pela própria família. Muitos jovens advogados iniciam a carreira na advocacia insatisfeitos.

A jovem advocacia não se pode deixar levar por esse incentivo ao concurso público. É necessário perseverar na advocacia, pois os frutos somente serão colhidos depois de algum tempo no mercado. É uma realidade difícil de encarar no início da profissão, mas a chave para sucesso é a perseverança e dedicação com a advocacia.

Contudo, em um cenário onde muitos vislumbram dificuldade, é preciso ver oportunidade. O jovem advogado deve aproveitar o momento de incertezas do mercado e se destacar. A advocacia é vocação.

Aqui não é apenas uma dificuldade para o jovem advogado, mas uma oportunidade.  Com o mercado cada vez mais especializado e com novas possibilidades, que vão desde inteligência artificial aliada ao direito, tecnologia, startups, criptomoedas, segurança da informação, até a reforma trabalhista, oportunidade não falta ao jovem advogado e advogada, cabendo unicamente ao profissional perceber este direcionamento e abraçar a oportunidade.

A inovação e especialização são dificuldades para àqueles que vislumbram esta mudança no mercado com a cabeça fechada, sem perceber que para superar este problema é necessário identificar sua área de atuação – que só é possível descobrir conversando com os colegas que atuam nas diversas áreas – e estudar, estudar e estudar.

As novas áreas, aliadas a rápida troca de informações e de conhecimento criam um ambiente fértil àqueles que sabem aproveitar a mudança. Cabe ao jovem advogado, pedra fundamental desta alteração no paradigma, não se intimidar e buscar seu espaço.

Talvez quem mais sofra na pele as violações das prerrogativas seja o jovem advogado e a jovem advogada, que, por inúmeros motivos (pouco tempo de atividade profissional, aparência mais jovem, desconhecimento de suas prerrogativas), são àqueles que possuem sua prerrogativa violada diariamente.

É dever do jovem advogado conhecer o Estatuto da OAB e o Código de Ética, não apenas para acertar as questões do exame de ordem, mas principalmente porque lá constam todos seus direitos e deveres, que devem ser respeitados pelos demais sujeitos do processo.

Nós, jovens advogados, não podemos desistir, é necessário perseverar na prática da advocacia, é fundamental levantarmos a cabeça e batermos de frente com as injustiças perpetradas em face do advogado em início de carreira.

O jovem advogado deve perceber que o mercado é dinâmico, assim com a jovem advocacia, então o modelo de advocacia que perdurava até pouco tempo atrás não pode servir de parâmetro para quem está começando a carreira.

A advocacia é formada por todos nós, por isso a jovem advocacia deve estar voltada aos valores da ética e da responsabilidade, na busca por uma sociedade mais juta e respeitando a Constituição Federal.

Artthur Bobsin é advogado, bacharel em Direito pela UFSC, especialista em Direito Administrativo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), conselheiro Estadual da Juventude/SC, presidente da Comissão da Jovem Advocacia da OAB/SC e auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol Americano

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