Com a reforma trabalhista, vivemos um momento histórico de ruptura tecnológica. Segundo pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mais de 32 profissões estão ameaçadas por robôs nos próximos 20 anos. A Revolução Industrial 4.0 traz novidades, como a internet das coisas, robotização e big data. Hoje o mundo se desenvolve em uma velocidade alucinante e podemos dizer que o mercado de trabalho não será mais o mesmo.

Quanto a Consolidação das Leis Trabalhistas do Brasil, aprovada em 1943 e em vigor até hoje, não era possível imaginar o salto tecnológico mundial. E embora o Brasil esteja se adaptando a essa realidade, sempre esbarra no modelo legal vigente, que é um obstáculo para que as empresas possam competir em âmbito global, onde essas relações são mais flexíveis e atualizadas ao mundo contemporâneo.

Diante deste cenário, as empresas poderão adotar modelos mais flexíveis na relação com os seus colaboradores, o que envolve também a contratação de executivos pela sua especialização, as exigências da oferta de demanda etc. Assim, o Brasil, tanto por conta das inovações tecnológicas quanto pela repaginação das relações de trabalho, estará em um novo patamar. Sem falar que será possível competir a nível mundial e evitar a exportação de empregos para outros países, que se adequaram a nova realidade. É provável que assim, as contratações sejam mais baseadas em projetos pontuais, cujas premissas priorizem a expertise de cada profissional e a remuneração seja atrelada a resultados.

A ideia de que o executivo e a companhia poderão negociar a melhor forma de remuneração tende a ser positiva, já que dentro de certas prerrogativas estipuladas na nova lei, o “negociado” poderá prevalecer sobre o legislado sendo um novo aprendizado com muita cautela para as novas exigências legais e seus pontos de flexibilização.

Isso ajudará na preservação de empregos e em um modelo focado na meritocracia. Iniciaremos uma fase que demandará mais maturidade nas relações de trabalho. E para nos adaptarmos é essencial estarmos atualizados, preparados e receptivos, buscando identificar onde será possível agregarmos valor. Afinal, a transformação contínua do mercado é a grande certeza que temos.

José Augusto Figueiredo, presidente Brasil e Vice-Presidente América Latina na consultoria global Lee Hecht Harrison (LHH) , que mantém unidade em Joinville