Advogada Eduarda Mourão

A presidente da Comissão da Mulher Advogada do Conselho Federal da OAB, Eduarda Mourão é uma das palestrantes da VI Jornada Catarinense da Mulher Advogada, que começa nesta quinta-feira (5), em Joinville. Eduarda abordará o tema “O poder do agir da advogada contemporânea”. Nesta entrevista, ela fala sobre os avanços e desafios das advogadas na advocacia e na política, especialmente na política interna da instituição.

Qual o papel da Comissão Nacional da Mulher Advogada no atual cenário da advocacia?
Eduarda Mourão: A Comissão Nacional da Mulher Advogada tem o papel primordial de implementar políticas de valorização e fortalecimento da mulher advogada no exercício profissional. Assim como o de fomentar a integração entre as comissões congêneres nas seccionais e nas subseções do Sistema OAB, inclusive no que tange a defesa dos direitos das mulheres na sociedade.

Quais foram os principais avanços para a mulher advogada nos últimos anos?
Eduarda Mourão: No Sistema OAB, as advogadas passaram a participar mais, a despertar um interesse maior com a política institucional, tanto que observamos um número crescente de colegas buscando a Ordem para ocupar cargos e compor comissões. Neste aspecto, o sistema de cotas nas chapas de eleições da Ordem foi muito importante. Ele permitiu que a ocupação feminina nos cargos da OAB ocorresse em todos as Seccionais do País, o que proporcionou uma onda crescente, um movimento de mulheres advogadas por todo País. No mercado, os avanços foram significativos quanto ao exercício da advocacia e também em novas áreas do Direito, antes predominantemente masculina. As advogadas passaram a enfrentar e vencer maiores desafios, como o de empreender em suas carreiras indo além da condição de contratadas, quase invisíveis, para titulares e sócias de sociedades de advocacia, chefes em departamentos jurídicos, empoderando-se em todos os demais segmentos desse mercado, além do interesse em busca de mais qualificação profissional. Percebemos um número crescente de jovens advogadas destemidas, firmando-se como profissionais combativas, enfrentando todas as dificuldades peculiares ao início de carreira com coragem, preparo e criatividade. Além disso, um grande avanço tem sido quanto à integração e conscientização de sua importância na sociedade, no mercado e na instituição OAB.

E quais são os maiores desafios, que ainda precisam ser enfrentados, das mulheres que querem exercer a advocacia?
Eduarda Mourão: Um dos maiores desafios de todo início de carreira é vencer a insegurança natural, é encontrar uma constância nas contratações com a clientela, conseguir consolidar-se como uma profissional conhecida e, principalmente, ser respeitada como uma mulher advogada, sem preconceitos de gênero e racial, assim como ter a contrapartida de seus serviços em honorários dignos em valores compatíveis com o seu merecimento e competência, sem diminuição pelo fato de ser mulher. Outro grande desafio, para qualquer mulher advogada, ainda é saber e conseguir conciliar seu tempo com os múltiplos papéis exercidos diariamente, com família, escritório, diligências e estudo, sem que isso prejudique sua produtividade, qualidade de serviço, ganho financeiro e ascensão profissional.

O tema da sua palestra na Jornada Catarinense da Mulher Advogada é “O poder do agir da advogada contemporânea”, como se configura esse poder?
Eduarda Mourão: Vivemos em uma sociedade com fortes influências do patriarcado e do machismo, naturalizado a ponto de muitas mulheres não perceberem e não reagirem a diferentes graus e formas de violência replicados em ambientes frequentados por ela, seja doméstico, social, profissional. E isso é tão forte que enfrentá-lo pode, muitas vezes, causar uma sensação de estar “remando contra a maré”. E o mais incrível é que está arraigado em todas as camadas da sociedade e inclusive no universo jurídico. Em contrapartida, temos um número crescente de advogadas inscritas na OAB. São 48% em nível nacional atuando muito bem no mercado, mas muitas ainda desconectadas a outras mulheres advogadas. E se são mulheres com capacidade plena para assumirem suas carreiras, também podem assumir o protagonismo de suas vidas quanto a participação e ocupação de espaços de poder e de mando, ao invés de se conformarem com o “menos” ou o “mais ou menos”, ou “suplência” ou o “plano B” ou permanecerem caminhando de forma isolada. Temos que agir coletivamente, estarmos unidas e termos os colegas homens como aliados nessa transformação. Todas nós temos uma força interior, uma inteligência divina e capacidade de superarmos desafios com direito pleno de sermos felizes. Saber quem somos, o que queremos, como devemos desenvolver e aplicar bem a nossa inteligência emocional, social e política certamente fará uma grande diferença na abertura e conquistas desses espaços. E a tudo isso traduzo no “poder do agir da advogada contemporânea”.

As informações são da assessoria de comunicação da OAB/SC