Os últimos acontecimentos na nossa República conduzem à certeza de que, pela primeira vez, vivenciamos um estado de inegável afirmação da nossa democracia. Por mais espantoso e chocante que possa parecer o quadro político atual, há, sim, motivos para ter esperanças e acreditar no surgimento de um novo país.

A começar pelo relevante papel que vem sendo cumprido pelas nossas instituições democráticas, que a cada dia dão mostras inequívocas do seu comprometimento com esse novo momento.

Desde a investigação dos casos, passando pela firme atuação da Justiça no julgamento das questões que lhe são afetas, até a cobertura feita pelos meios de comunicação, temos observado todo um conjunto de ações que estão sendo colocadas em prática, com o objetivo de promover a maior devassa na vida política do país e, a partir daí, por fim à promiscuidade nas relações entre os interesses público e privado.

Não há duvida de que esse processo de depuração, que não tem poupado nenhuma grande figura pública ou privada, é um sinal claro de que estamos rumo à verdadeira ordem que nossa bandeira menciona.

Este novo momento autoriza algumas reflexões sobre princípios e valores da nossa República, protegidos pela nossa Constituição: a força da democracia, que permite ao povo manifestar a sua capacidade de indignação; a necessidade da liberdade responsável de expressão, para que os jornalistas possam jogar luzes sobre os fatos que acontecem no dia a dia da nossa República; e o valor da independência e das garantias para as carreiras de Estado, que dão condições a juízes, promotores de Justiça e a polícia para enfrentar o poder das organizações criminosas.

Ao atravessamos este período de amadurecimento democrático, cabe a cada um de nós focar naquilo que é importante para termos uma Nação mais justa, igualitária e voltada à proteção, respeito e bem estar de todos os cidadãos. E tudo isso passa pelo fortalecimento das nossas instituições, as quais, insisto, têm demonstrado a este país que sua reconstrução em bases muito mais justas é possível.

Antonio Augusto Ubaldo, Juiz de Direito Diretor do Departamento de Comunicação da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC)